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Aproveitamos este espaço para render nossas últimas (e primeiras, e atrasadas) homenagens à velhinha de Taubaté. Para quem não conhece, ela é uma personagem criada por Luís Fernando Veríssimo que era famosa por sua imensa credulidade ante o governo. Junto com o Analista de Bagé e Ed mort, era uma das mais famosas criações do filho ilustre de Érico Veríssimo. Apesar da credulidade dela passar incólume aos governos de Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar Franco e FHC, ao que parece, o coração da pobre velhinha não deve ter aguentado o noticiário dos últimos meses e teve uma tirica (ou piripaque, como preferirem).
O obtuário completo da senhora de 90 anos saiu na coluna de Luís Fernando no jornal "O Globo" de 25 de agosto, que pode ser visto
aqui. Caso você não tenha saco de se cadastrar no site da Globo, reproduzimos aqui o texto integral do LFV. Nossos pêsames.
Velhinha de Taubaté (1915-2005)Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como “a Velhinha de Taubaté”, que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo. O fenômeno, que veio a público durante o governo Figueiredo, o último do ciclo dos generais, levou multidões a Taubaté e transformou a Velhinha numa das maiores atrações turísticas do estado. Além de estandes de tiro ao alvo e de venda de estatuetas da Velhinha e de uma roda-gigante, ergueram-se tendas para vender caldo de cana e pamonha em volta da pequena casa de madeira onde a Velhinha morava sozinha com seu gato, e não era raro a própria Velhinha sair de casa e oferecer seus bolinhos de polvilho a curiosos que chegavam em ônibus de excursão para serem fotografados com ela e pedirem seu autógrafo. A Velhinha sempre acompanhou a política e acreditou em todos os governos desde o de Getúlio Vargas, inclusive em todos os colaboradores dos governos militares, “até”, como costumavam dizer muitos na época, com espanto, “no Delfim Netto!” O presidente Sarney telefonava freqüentemente para Taubaté para saber se a Velhinha, pelo menos, ainda acreditava nele, e Collor foi visitá-la mais de uma vez para pedir que ela não o deixasse só. As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara. Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que como todos estavam dizendo a verdade a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença. A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio. O ambiente no parque de diversão em torno da casa da Velhinha de Taubaté é de grande consternação.
(Luis Fernando Veríssimo)