O Busilis Blog

Este é o blog do Site www.obusilis.com. O Dia-a-Dia do Brasil e do Mundo no nosso diário de uma forma que ninguém ousa publicar. O mundo do ponto de vista Busilis.

sábado, abril 03, 2004

 
ÂNUS DE EREÇÃO (ANO DE ELEIÇÃO, PORRA)

Em outubro deste ano será a eleição para elegermos os vereadores e o 1o turno das eleições para prefeito. Desde 1996 o sistema de voto eletrônico está sendo implantado nas eleições nacionais, agilizando todo o processo de apuração de votos. O trabalho de contagem que normalmente se estendia por dias foi resumido a algumas horas, e a tendência é que este tempo seja cada vez menor. Comparado ao sistema eleitoral de outros países, o nosso se tornou referência., sendo um dos mais modernos e eficientes do mundo.
Mas nem por isso ele é perfeito ou satisfaça a todos. Alguns especialistas apontam pontos negativos que não permitem uma total transparência do processo e abre possibilidade, ainda que pequena, para manipulação e fraude, sem que haja um mecanismo eficiente de recontagem. Movimentos como o do voto eletrônico (colocar link) apontam sugestões para melhorar o sistema. Inicialmente eles foram ridicularizados pela imprensa “oficial” (leia-se revista “Veja”) e tomados como meros paranóicos com teorias conspiratórias. Mas o escândalo do painel de votação do Senado acabou respingando na confiança do processo eleitoral.
Mas nem por isso devemos abandonar este sistema e retornar ao velho papel. Apesar de o atual processo ter algumas limitações apontadas, como por exemplo a impossibilidade de uma recontagem efetiva de votos, nós estamos dispostos a dar nossa contribuição para melhorar o sistema, visando principalmente a satisfação daqueles eleitores saudosos do sistema antigo. Em pesquisa encomendada a respeitáveis órgãos de estatística, constatamos a insatisfação do eleitor.
O sistema de votação com cédula de papel permitia que se anulasse o voto com estilo. Não um simples marcar de todos os candidatos ou uma mera rasura na cédula. O eleitor aproveitava o suflágio para externar sua indignação para aqueles que obtiveram o direito de manipular o erário com o seu voto. Frases de baixo calão (“esta porra!Buceta!Cu!”), recomendações pouco ortodoxas (“vão se fudê, seus ladrão!”, “quem senta, fuma e cheira vota no Gabeira”, “Maluf rouba mais faz”), candidatos fictícios (Sílvio Santos, Tony Ramos, Cacareco, Macaco Tião, etc) e, às vezes, verdadeiros manifestos sociológicos. Com o advento da urna eletrônica, o ato de anular o voto se resumiu a um simples e burocrático apertar de um botão. Nossa sugestão é que o eleitor possa voltar a expressar-se em seu voto. Para tanto, sugeriríamos o seguinte:
- O acréscimo de um menu com as opções de voto nulo, como “Candidatos falsos”, “Frases ofensivas”, “reclamações”. Cada um destes menus teria submenus com as opções a serem escolhidas pelo eleitor que quisesse anular o voto com um pouco mais de estilo e visando a agilidade na hora do voto. Sem maior perda de tempo, o eleitor poderia escolher Bob Esponja para vereador de Belford Roxo, Lula Molusco para presidente (he,he!), mandar aquele Senador para a puta que pariu, indignar-se com a obrigadoriedade do voto (“pau no cu da eleição”) ;
- A inclusão de um teclado alfanumérico padrão 102 teclas para que o eleitor possa digitar qualquer texto que porventura queira anexar ao seu voto nulo e que não tenha no menu de opções, exercitando a criatividade com impropérios novos como “vai procurar um pau para melar de merda”, ou escrevendo manifestos políticos contra o sistema;
- A adição de um dispositivo apontador tipo mouse e um editor de imagem para que o eleitor possa “modificar” as fotos dos candidatos, adicionando bigodes, chifres, batom nos lábios, etc;
- Atendendo aos anseios daqueles eleitores que, além de anular o voto, faziam algo especial com a cédula (como lambuzá-la de merda antes de inserir na urna), sugerimos a adição de algum periférico de armazenamento, como CD-ROM ou leitor de disquete. Isso permitiria que o eleitor já trouxesse algum arquivo de imagem , som ou um vírus para anexar ao voto. Seria interessante que, na hora da apuração, surgisse uma imagem de uma pilha de merda seguido daquele ruído característico de uma emissão flatulenta, ou que um vírus apagasse todos os votos da urna após a mensagem “aqui procês!” abaixo da imagem de um dedo médio esticado;
Com estas sugestões, acredito que tenhamos contribuído e muito para a manutenção do processo democrático. Só resta que os órgãos competentes aprovem as modificações e as empresas responsáveis as implementem. Além de um ato cívico, a votação será divertida.

 
FOME UM, GOVERNO ZERO
Recentemente o Presidente Luís Inácio Lula da Silva propõe que o mundo se mobilize para combater a fome no mundo. Em reunião nas Nações Unidas, o secretário-geral propôs uma enquete entre os representantes das nações com a seguinte pergunta: “Por favor, qual a sua opinião sobre a falta de comida no resto do mundo?”. Porém, a reunião foi um fracasso, pois nem todas as delegações responderam à pergunta. Questionando o porquê do ocorrido, descobriu-se que, de fato, houve problemas no entendimento simultâneo da frase. Os africanos não fazem idéia do que seja “comida”, os asiáticos não entenderam o que era “opinião”, os europeus não sabiam o que era “falta de comida”, os americanos ignoram o que seja “resto do mundo”, e os argentinos não tem noção do que significa a expressão “por favor”.

 
REVISTA “CRAZY MAN- JORNALISMO TRATADO COMO DEVE SER – UMA ZONA”
CAPA – A partir da imagem de destaque da semana/mês, tirar um sarrinho. Pode ser também sátira a capa de alguma revista semanal.
EDITORIAL – O primeiro editorial seria sobre as mudanças na revista, como a “nova direção” está botando ordem na coisa, etc, deixando bem claro que o editor-chefe é o cão em forma de gente
DESTAQUES DA SEMANA/MÊS – Comentários sobre os fatos noticiados nos jornais e revistas
QUEM RI POR ÚLTIMO RI ATRASADO – Notícias de última hora (blog?)
A CHARGE DO TIO XIKO – Só resta saber quem porra vai desenhar...
COLUNISTAS E COLABORADORES:
- Tio Xiko (divulgar e-mail)
- Moziel T.Monk (divulgar e-mail)
- Charles Coyote
- Crazy Man
- Jacaré Jacuzzi
- Colunista convidado: Crônica já publicada de algum famoso, como Luís Fernando Veríssimo, dando a entender que aquela crônica era exclusiva da revista e que “os outros copiaram antecipadamente” (já que a Globo alegou isso do SBT na “Casa dos Artistas”), citando a fonte.(e-mails para o editor)
- Quem é morto sempre aparece: Publicação de crônicas de escritores já mortos, como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, H.L Mencken e outros defuntos ilustres (e-mails para o editor)
- Nossos correspondentes: Colocar textos interessantes de outros sites de humor e/ou jornalismo, como o Mundo Perfeito e o Cocadaboa, com o devido consentimento e citando a fonte.
- Uma mentira com vários cúmplices: Revisita a fatos tidos como axiomáticos e certos, como lendas urbanas, decorebas históricas (quem inventou o rádio?) ou imposição cultural.(usar como fonte o projeto Ockham , Ceticismo Aberto e lendas urbanas)
MPB – Motivos Para Beber: Lista de efemérides (datas comemorativas, jumento!) do mês para serem usadas como argumento para tomar aquele chopinho na segunda-feira.
FOTONOVELA CRAZY MAN: Em cima de um texto breve, montar uma fotonovela com as imagens mais absurdas possíveis, ou usando imagens de um filme.
O CIRCO DA MÍDIA: Matérias de própria autoria ou tirada de outras publicações sobre o jornalismo e sua atuação.
ARTE ATACA – Críticas, sérias ou não, sobre cinema, TV, livros, quadrinhos, o escambau.
PULP FICTION: Publicar as séries de personagens, fixos ou não, sérios ou não
- Ogum
- Virado na Cão
- O Espetacular Aranha
- Deus e o Diabo no mundo Corporativo.

ONDE ANDARÁ...(prov) – Reportagens sobre personagens fictícios que foram famosos por algum tempo e depois caíram no ostracismo, “revelando” o que aconteceu nestes últimos anos. Vale personagens de novelas, filmes, séries, desenhos, HQ’s e até brinquedos ( o estreante será “Falcon”).
QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA LOBA – Relatos picantes de uma veterana na arte de dar prazer aos homens (puta velha), descrevendo suas aventuras com gente famosa e importante do cenário nacional e internacional.
NOSSOS CORRESPONDENTES... – Reprodução autorizada (ou não) de textos publicados em outros sites
...NO MUNDO PERFEITO
...NA ESLOVÊNIA (COCADABOA NEWS)
...NUM MUNDO ASSOMBRADO PEOS DEMÔNIOS (Proj. Ockham)
....NA CASA BRANCA (www.whitehouse.org)

A REDAÇÃO
Toda revista que se preze precisa de bons profissionais. A idéia é contar o cotidiano de nossa redação virtual, com seus personagens. A cada edição, seria apresentado o expediente seguindo algum tema, ilustrando os personagens de acordo com este tema. Ei-los:

O EDITOR-CHEFE (nome a definir): Uma mistura do Perry White com Ätila, o huno. O cara do chicote que aterroriza a redação para que os prazos sejam cumpridos. Como ele não gosta de aparecer, não se edita fotos do sujeito. O pessoal da diagramação sempre dá um jeito de colocar no editorial uma imagem condizente com o humor do chefinho (Adolph Hitler, Wlad Tapes, um velho rabugento). Seu pragmatismo é lendário. Costuma-se contar que ele, para explicar a estagiária burra o que era “empalar”(usar essa com a imagem de Wlad Tapes), comeu o rabo da loiraça, para que não houvesse dúvidas.

OS “FRILAS”- Eventualmente a revista recebe a colaboração de profissionais da área (usar personagens famosos do cinema, TV, quadrinhos ou literatura).

AS ESTAGIÁRIAS – Como de praxe, há aquela estagiária esforçada, inteligente e legal com todo mundo, porém não muito agraciada pela natureza, por ser meio fraca das feições. Em compensação, temos uma deusa de pele dourada e cabelos loiros, um rabo descomunal e seios fartos. Mas uma verdadeira cavalgadura. É claro que ninguém na redação já faturou a jovem, a não ser o implacável editor-chefe.

O REVISOR – Misteriosa figura que permanece escondida nos confins da redação. Provavelmente é careca, pois deve ter arrancado os cabelos com os erros de português e os prazos apertados, com todo mundo entregando as matérias em cima da hora.
NOSSOS COLUNISTAS
TIO XIKO: Fundador da revista, ele seguiu à risca o que a maioria dos magnatas da comunicação fazem, usando a publicação para denegrir a imagem dos desafetos. Não obstante, precisou vendê-la por causa das dívidas no boteco da esquina. Agora trabalha para nosso editor-chefe, que pega no pé dele por conta de prazos. Ë claro que Tio Xiko não os cumpre, e tem o costume de sumir misteriosamente após às 15:00 da sexta-feira. Provavelmente para se dedicar a um de seus passatempos preferidos, que é o de enxugar o interior de garrafas contendo substâncias alcoólicas (fale mais sobre seu personagem, Rodrigo)
CHARLES COYOTE: Sempre que envia suas histórias, o revisor se morde de inveja, e alega que aquilo tudo é mentira, que ele não comeu ninguém, etc. Mas ele já apareceu aqui na redação para conversar com o editor. Ele afirma que é tudo verdade, mas que não entende o alarde todo por conta daquelas histórias. Este é o mais incrível do cara: ele não se toca que aquelas mulheres que ele passa o rodo são famosas e cobiçadas, pois para ele são todas mulheres. A não ser uma tal de Beatriz, que ele sempre menciona em seus textos. Ela deve ser uma deusa intangível, pelo modo que ele fala dela. Que irônico! O cara tem todas as famosas, mas deseja realmente alguém anônimo. Mas ele não perdoa ninguém, nem nossas estagiárias. Sabíamos que a gostosona iria cair na dele, mas quando soubemos que ele mandou ver na nossa brilhante, porém não muito bonita estagiária, perguntaram a ele o que ele vira nela. Sua resposta: “Todo homem que se preze sabe enxergar alguma beleza em todas as mulheres. Além do mais, ela trepa bem melhor que a outra. E certos detalhes estéticos são irrelevantes se a trepada é de primeira”. Falou e disse.

MOZIEL: Não é exatamente um profissional da área, pois quando buscava um estágio de engenharia elétrica na área de telecomunicações, empurraram-lhe um estagio na área de comunicações, e ele veio parar por aqui. Dividindo suas crônicas mal revisadas com outras fontes de renda e os cálculos numéricos do curso de telecomunicações, ele tem um sério problema de prazo. E quando aparece com seus textos, vem logo com um bocado, e cada um mais longo que o outro, para desespero do revisor. E ao vir discutir problemas de prazo, é o único na redação que consegue argumentar em pé de igualdade com o editor-chefe, utilizando termos já famosos no nosso meio, como “vai dar meia hora de cu”, “vai melar um pau de merda”, “enfia seu emprego no rabo”, e por aí vai. Antes ele trabalhava em casa, mas agora ele prefere vir à redação, pois, segundo dizem as más línguas, a esposa o pegou escrevendo algo que não devia (por link para o “Meta a Língua na Metalinguagem”)...

JACARÉ JACUZZI – Nosso homem da alta sociedade. Em tempos de celebridade, sua coluna vive brilhando com a presença de gente bonita e famosa. Dizem, porém, que para sair na coluna dele, é preciso liberar alguma coisa, em dólar ou em outro tipo de moeda. Como nossa estagiária gostosa já apareceu em sua coluna e ela não tem lá muita grana, imaginamos com que tipo de moeda ele lida...

VIRGÍNIA LOBA – A versão feminina do Charles Coyote. Prostituta de luxo, antigamente dividiu a alcova com muitos homens importantes e famosos. Hoje dirige uma casa de diversão noturna (puteiro) e conta suas memórias, além de comentar sobre as celebridades que frequentam seu “clube privê”.






PULP FICTION – OS PERSONAGENS

CÓDIGO OPERATIVO: OGUM – Num futuro próximo, a elite se isolará cada vez mais dos excluídos da sociedade da informação. Governos tecnocratas entregarão parte da segurança a empresas privadas, que oferecerão seus serviços a quem possa pagar por eles. Nesse cenário, o caçador de recompensas Leonidas, conhecido pela alcunha de Ogum, trabalha em uma São Paulo evoluída e decadente, caçando os párias deste admirável mundo novo.

VIRADO NO CÃO – Matheus Murdoca é um advogado que vive de golpes e expedientes amorais juntamente com seu sócio, Nelson Folgado. Ambos tem a idéia de transformar Murdoca em um vigilante mascarado para que prenda os bandidos, os quais eles porventura defenderão. Paródia do personagem “Demolidor”, da Marvel.

O ESPETACULAR ARANHA – As aventuras de um produtor de filmes pornográficos, Alberto Aranha, e seu fiel “escudeiro” , Flávio.

 
DICAS DE ETIQUETA DO SR. JACUZZI

COMO SE COMPORTAR EM UM VELÓRIO

Apesar de ser um tema espinhoso, todos estamos sujeitos a ir a um velório, mesmo que seja o seu. Não sendo este o caso, a morte de alguém não é pretexto para se agir sem classe. Por isso transcrevo estas dicas. Perca o ente querido, mas não perca a pose.
- Se o cadáver ali presente não foi exatamente um exemplo de conduta moral, devemos seguir o que recomenda as boas maneiras, elogiando-o bastante e resistindo ao impulso de comentar “este filho da puta já foi tarde!” ou “foi rachar lenha no inferno!”. Se foi um desafeto seu em vida, mais que nunca tenha a oportunidade de elogiá-lo. Siga o exemplo de homens como Brizola e Lula, que se comportaram dignamente no velório do meu velho colega Roberto Marinho. Como eu sempre digo, a hipocrisia é um favor que o vício presta à virtude;
- Por favor não vá consolar os parentes com eufemismos e lugares-comuns. Evite os já batidos “finalmente descansou”, “agora está em paz”, “está melhor que a gente”. Resuma tudo a um “sinto muito” (mesmo que esteja cagando para o fato) ou “meus pêsames”. E nunca, nunca mesmo, diga “Sei o que está sentindo”, pois você não sabe, caralho!
- Expressar sentimentos de perda e passar mal é coisa de gente sem classe. Devemos manter a sobriedade e o ar triste, apenas. Nada de choro desesperado ou desmaios;
- Por maior que seja, resista bravamente ao impulso de comentar com os pais ou parentes do morto que “fulano dava um cú que se lambia...”. Acredite, é de muito mau gosto;
- Apesar de toda a sua boa vontade em tentar animar seus parentes e amigos, não vá inventar de contar piadas durante o velório ou o enterro. Principalmente se a imprensa estiver presente. Isso pode causar um grande inconveniente para todos. Seja cavalheiro como foram os integrantes do “Casseta & Planeta”, que devem ter se coçado para fazer uma piada sobre o falecimento de meu estimado amigo Roberto Marinho, mas que preferiram não fazê-lo;
- Se o falecido por ventura era envolvido casualmente com atividades contraventórias, como negociar substâncias de uso recreativo socialmente toleráveis, não chegue próximo ao corpo dando-lhe tapas no ombro e proferindo “Aí, mermão, vacilou e os mano te encheram de azeitona. Mau aí”;
- Por mais que o saudoso companheiro fosse amante da noite e tivesse um comportamento boêmio, em seu último adeus não derrame uma dose de Whisky sobre o túmulo em um gesto teatral, ou tampouco deixe uma garrafa de cachaça ao lado da lápide. Além de ofender os parentes mais conservadores, a última vez que isso ocorreu, o coveiro bebeu o conteúdo da garrafa ao fim do enterro;
- Ainda sobre boêmios, você e seus amigos não devem levar o cadáver para uma “última noitada” pelos bares e puteiros da cidade e, ainda por cima, extraviar o corpo no processo. Caso não saibam, ele é um elemento essencial em um velório;
- E, por favor, ao escolherem a roupa para vestirem o morto, verifiquem se a mesma não tem nenhum celular ligado. Já não é cortês deixar o celular ligado durante a cerimônia, imaginem se o celular tocando for o do defunto? E pior ainda, se ele atende?
- Tudo bem que sua esposa e os pais dela morreram vitimadas em um terrível acidente, é compreensível que você não suportasse a sua sogra e que seu sogro o considerava um vagabundo oportunista, e que sua esposa era uma megera e que você só casou por causa do dinheiro. Tudo bem que você se tornou o único herdeiro, já que você não tinha cunhado, e que a fortuna deixada o deixou bem para o resto da vida. Mas, por favor, tira esse sorriso do rosto e finge que está triste;
Com estas dicas, acredito que o seu velório será um sucesso e será bem comentado por todos da sociedade.

 
ECONOMIA DOMÉSTICA

As pessoas de poucas posses costumam reclamar que não podem adquirir certos produtos devido a seus baixos ganhos. Acham absurdo se comprar um terno por R$ 6000,00 ou pagar R$ 1.000,00 por um balde de gelo mais sofisticado. Acusam de elitista e esnobe quem se permite a estes pequenos luxos. Mas é possível a todos se organizarem financeiramente para dispor de uma graninha sobrando para adquirir um produto ou viagem. Vamos a um exemplo prático.
O Sr. Zé Arruela`, também conhecido por Zé Goiaba, Mané e outas alcunhas, ganha cerca de R$ 300 reais mensais por suas atividades. Abaixo, uma planilha com os gastos mensais de Zé Cú .
Aluguel R$ 100,00
Água R$ 30,00
Luz R$ 25,00
Telefone R$ 35,00
Cesta Básica R$ 180,00
Gás R$ 40,00
Transporte R$ 49,50
Gastos diversos (lanche, cerveja, etc) R$ 43,00
Almoço R$ 51,00
TOTAL R$ 553,50

Podemos observar que mensalmente, além de não sobrar grana, ainda são gastos R$ 253,50 a mais que seus vencimentos. Mas isso pode ser mudado com alguma organização e planejamento. Vejamos:
Podemos diminuir o custo com gastos de água se diminuirmos a quantidade de banhos que Zé Buceta e família (mulher e 7 filhos) tomam diariamente. Nem todo mundo precisa de banho, nem todo dia. Alternando os dias de banho e diminuindo o consumo de água, podemos diminuir a despesa para R$ 13,00. Com menos banhos, diminui-se o uso de água quente do chuveiro elétrico. Também podemos diminuir o uso de eletrodomésticos supérfluos, como liquidificador, geladeira e TV. Com isso, o custo com energia cai para R$ 14,00. O telefone é algo totalmente supérfluo, sendo aconselhado o seu desligamento. Afinal, nosso governo proporcionou a população uma vasta planta de telefones públicos instalados, não havendo necessidade de uma linha em cada casa. Cortamos mais R$ 35,00.
A cesta básica é um pouco mais complicada. Mas se considerarmos que é um desperdício e um luxo fazer-se todas as refeições diariamente, diminui-se a quantidade de itens da cesta. Eliminando itens mais supérfluos, como higiene e limpeza (já que haverá menos banho) e algumas frutas, já fazemos bastante economia. Quanto a carne, podemos trocar por uma mais barata, diminuir seu consumo ou virar definitivamente vegetariano. Nossa cesta básica pode chegar a uns R$ 85,00.
Com a diminuição de consumo de comida, já haverá uma economia no consumo de gás. Alguns alimentos podem ser consumidos crus, mesmo, não havendo desnecessário uso do gás, e pode se utilizar combustíveis alternativos, como madeira e carvão, fazendo um botijão de gás durar de três a quatro meses, fazendo a conta mensal cair para R$ 10,00.
O transporte para o trabalho pode ser feito através de carona ou a pé. Como pobre costuma ter bastante tempo de sobra, nosso Zé Tabaco pode acordar mais cedo ainda para caminhar até seu trampo, que ao mesmo tempo se torna um hábito salutar. Com essa medida, a despesa cai para R$ 25,00.
Os gastos diversos envolvem aquela coxinha à tarde e a cervejinha mensal no dia do pagamento com os colegas de trabalho. Devemos cortar estas despesas. Nada de lanche, pois engorda. Quanto à cerveja, pode ser trocada por um aguardende mais acessível acompanhada de uma fatia de salame. Este custo mensal cai para uns R$ 13,00.
Para o almoço, usaremos o mesmo raciocínio utilizado na cesta básica. Para que almoçar todo dia? Além disso, os almoços alternados podem ser feitos em marmita, e sempre que possível deve se filar o almoço do colega. Com isso, nossa economia nesse item é grande, e seu custo fica em R$ 14,50.
Deixamos o aluguel por último. Há uma série de alternativas a este custo. Nosso querido Mané pode adquirir consciência política e entrar em um destes movimentos de Sem-Terra, Sem-Teto, Sem-Vergonha, e invadir um terreno ou prédio abandonado. Outra é morar sob uma ponte. Outra é morar na casa de algum parente. As opções são várias, e nosso custo cai a zero.
No total, o custo fica em R$ 209,50. Além de compatibilizar os custos de acordo com os vencimentos de Zé Povinho, sobram quase R$ 100,00 mensais. Isso significa que, se ele e sua família se mantiverem sujos, comendo em dias alternados, sem lazer, roupas novas, telefone, TV ou casa própria, poderão adquirir um legítimo blazer Armani em 5 anos, ou um modesto imóvel em 20 anos. Ou seja, basta alguns pequenos sacrifícios que qualquer um pode ter acesso a algumas regalias. E ainda falam que nossa sociedade é injusta e excludente.

 
ONDE ANDARÁ FALCON?

Para quem não se lembra, Falcon era um soldado ativo em fins dos anos 70 e início dos anos 80. Em tempos de Guerra Fria, o guerreiro era um preparado combatente, com todos os recursos e equipamentos disponíveis. Seus treinados olhos de águia não deixavam escapar qualquer perigo. Antes dos Stallones e Schwartzeneggers da vida, ele era o símbolo de virilidade paramilitar em voga. Suas marcas registradas eram a barba cerrada e a cicatriz em sua face. Em seus últimos anos na ativa, ele tinha recursos tecnológicos para combater os seus inimigos, inclusive dispondo de robôs e andróides. Suas aventuras foram, inclusive, narradas em revista.
Mas muita gente que nasceu nos anos 80 e 90 jamais ouviu falar em Falcon ou sabe como ele é. A vida real trouxe ameaças mais perigosas que o (citar o inimigo do Falcon) e seus asseclas tornaram os heróis meio que obsoletos. Por onde anda Falcon? Desde a segunda metade dos anos 80, ele não tem dado às caras. Teria sido morto por seus inimigos? Estaria desaparecido em ação? O governo se livrou dele por ter descoberto uma grande conspiração?
Em reportagem exclusiva, nossa equipe de repórteres investigadores esteve em busca da resposta a esta pergunta.
Após algum tempo combatendo seus inimigos, Falcon constatou que os mesmos estavam evoluídos e organizados, e ele seria incapaz de combatê-los. Seria necessário uma nova equipe de combatentes para fazer frente a esta ameaça iminente. Descobrimos, então, que Falcon esteve diretamente envolvido na formação e treinamento dos componentes da equipe GI. Joe, mais conhecidos como “Comandos em Ação”. Quem os conheceu sabe que era uma equipe numerosa composta por talentosos soldados e equipada com o que havia de mais moderno em armas leves e pesadas, além de veículos de combate, desde helicópteros e barcos até caças e carros de combate. Todos estes recursos eram utilizados para combater seu maior inimigo, o terrorista conhecido como “COBRA”, que possuía um verdadeiro exército de mercenários, ninjas e terroristas. Inclusive, o próprio Falcon chegou a ser visto atuando com os “Comandos em Ação”.
E o que aconteceu depois? Sabemos que os “Comandos” já saíram de cena a alguns anos. Já meio velho para estas coisas (considerando-se que ele tinha uns 25-30 anos no fim dos anos 70, atualmente ele deve estar com mais de 50 anos), Falcon sai definitivamente da ativa. E some sem maiores vestígios. Nossa equipe teve acesso ao arquivo secreto de Falcon. E descobrimos o porquê.
Falcon conheceu a jovem Barbie quando estava na ativa. Os dois tiveram um tórrido romance, porém os pais da moça não aprovavam o romance entre ambos. Os pais de Barbie a obrigaram a se envolver em um casamento por conveniência com o senhor Ken, que por sua vez era rico e homossexual não assumido, que se casou com ela para manter a pose. Inconformado, Falcon entra nas forças especiais para esquecer seu grande amor.
Muitos anos depois, Falcon reencontra seu grande amor, agora uma senhora respeitável da sociedade, casada com um respeitável empresário (fresco todo...). Os dois se tornam amantes. Falcon tenta convencê-la a largar tudo e viver com ele. Como prova de seu amor, ele abandona o serviço militar. Eles resolvem fugir, mas Ken contrata uma gangue de Playmobils desempregados para dar um sumiço em Falcon. O boneco (ops!) do Ken convence Barbie de que o Falcon a abandonara.
Mas o velho soldado é duro na queda. Após derrotar os playmobil (e alguns Lego), ele parte para cima do Ken, que se declara apaixonado pelo soldado e o beija na boca, bem na hora que Barbie entra no quarto. Ela manda os dois se foderem e pede o divórcio.
Perseguido pelos seus velhos inimigos e pela fama de boiola, Falcon acaba se escondendo, sumindo de todos. Fomos encontrá-lo aqui mesmo, no Brasil. Em suas andanças pelo mundo, ele acaba conhecendo no Brasil a eternamente jovem Susie. Após conhecer a Susie, ele esqueceu a Barbie e se tornou um cidadão pacato. Ambos passaram a viver juntos. Ela, administrando uma instituição (retiro dos brinquedos), e ele é proprietário de um bar para veteranos. Além de um bocado de soldados de plástico do exército americano, japonês e alemão, encontramos alguns playmobil, lego e alguns “comandos” , todos ressentidos com a atual geração de heróis japoneses e brinquedos chineses baratos.

 
AS AVENTURAS DE CHARLES COYOTE

MALÚ MULHER

Aeroporto de Guarulhos, um fim de tarde e início de noite de chuva daqueles que você só vê em São Paulo. Após um almoço prolongado com velhos conhecidos no Terraço Itália, me despedi deles e vim direto para cá. Já estava com passagem marcada para Recife, aonde deveria resolver uns assuntos pendentes. Enquanto aguardava o vôo, passeava pelas lojas do aeroporto. Detive-me em uma banca e passei a folhear um livro de fotografias. Mulheres nuas levadas ao Estado da Arte. Numa das páginas centrais, encontrei uma morena de cabelos lisos cuja beleza me chamou a atenção.
- Vou levar só isso. Quanto devo?
A voz feminina suavemente grave me fez procurar sua dona. Encontrei-a no caixa. Uma morena de cabelos longos e lisos, com um tom de chocolate dourado, iguais às da foto que olhara no livro. Ao contrário da foto, ela estava bem vestida, mas a saia que alcançava os joelhos mostravam o suficiente de suas pernas, longas e torneadas. Mulher alta, de seios pequenos e ancas largas. A bunda poderia ser maior pelos meus parâmetros, porém a semelhança com a foto do livro atiçou minha imaginação, e a desnudei em meus pensamentos.
Coincidentemente ela olha para trás, e me fraga despindo-a. Olhos estreitos, lábios finos, algumas sardas no rosto realçando sua beleza. Deveria ter uns trinta e pouco. Perfeito. Ela me olha e deve esperar que eu desvie meus olhos. Apenas sorrio de leve, levanto o sobrecenho e deixo a capa do livro que leio à mostra para ela. Sua reação é torcer a boca em sinal de reprovação, balançando a cabeça. Mas não segura um pequeno sorriso antes de sair com sua mala e a revista que comprara. Deixo-a ir, guardando sua imagem para me acompanhar durante o vôo.
Vou ao balcão de check-in da minha empresa. Percebo uma pequena confusão. Me aproximo e pergunto a um dos funcionários o que está havendo. Ele me explica que houve um “overbook” na classe executiva do vôo. Como minha passagem era da classe econômica, mesmo, não me preocupei e simplesmente entreguei minha passagem.
- Mas isso é um absurdo! Vou processar a sua empresa!
Aquela voz novamente. Vejo a morena novamente, agora discutindo com uma das atendentes da empresa, que pacientemente tentava explicar a situação.
- Houve um problema no sistema, e foram indevidamente vendidas passagens demais para este vôo. Estamos providenciando acomodações...
- Eu quero viajar hoje, agora! E de classe executiva!
- Minha senhora, estamos tentando...
- Se vire, minha filha! Você sabe com quem está falando?
Resolvo me meter na discussão.
- Eu não sei. Poderia ter o prazer?
Surpresa e zangada, ela se vira para mim.
- Tem certeza de que não sabe?
- Deveria? – devolvo.
Novamente um balançar de cabeça, em reprovação. Depois volta a insultar a funcionária. Interrompo-a.
- Entendo que a situação seja inconveniente, mas a moça não tem culpa e não é justificativa para ser grosseira...
- Ora, Não se meta! E não estou sendo grosseira!
- Não? Já se escutou, ou você também não sabe quem está falando?
- Escuta aqui, camarada. Eu não o conheço, e não estou em meus melhores dias, e você está sendo inconveniente...
A jovem do balcão nos interrompe
- Houve uma desistência de última hora na classe econômica, senhora. Caso queira aproveitar...
- Mas eu paguei para ir na classe executiva!
- Iremos reembolsar a diferença...
- Não quero saber! Quero viajar agora, e na classe executiva!
Noto que todo mundo olha para ela. A confusão está chamando a atenção, inclusive das outras pessoas.
- Minha senhora, infelizmente não será possível. A única vaga disponível é na classe econômica.
- Uma jovem de personalidade como você deve entender a situação e contorná-la. Como é uma viagem de cerca de três horas, não se importará de ir na classe econômica, já que tem pressa em chegar ao seu destino. E a jovem aqui fará o possível para reparar todo o inconveniente causado – digo, sorrindo com cumplicidade e simpatia para a jovemdo balcão, que me retribui o sorriso. A morena ainda não está sorrindo.
- A poltrona é a 23L, caso queira aceitar.
- Que coincidência, viajaremos juntos – digo.
- Ah, não. Além de ir na classe econômica, tenho que ir aturando este chato?
Outro funcionário anuncia a última chamada para o nosso vôo.
- É pegar ou largar. Se quiser, deixo você ir na janela.
- Tudo bem, eu aceito. Mas vou enviar uma reclamação por escrito à sua companhia.
- Aqui está seu bilhete, senhora (INCLUIR SOBRENOME VERDADEIRO)
Com raiva, ela o apanha e se afasta do balcão, sem falar mais nada.
- Será uma viagem interessante – comento.
Ela resmunga e se afasta. Não a sigo, pois sei que em breve estaremos juntos.
- Ai, meu Deus, vou perder meu emprego – se lamenta a atendente do balcão.
- Não se preocupe, querida. Após umas três horas em minha companhia, ela irá agradecer a vocês o ocorrido. Pode escrever.
Ela sorri, desmanchando o ar preocupado. Pisco-lhe maliciosamente antes de ir ao embarque. Decido embarcar por último, e fico bebendo uma dose de Whisky após passar pelo detetor de metais com minha bagagem de mão. Vejo-a passar pelo portão de embarque enquanto a visualizo nua e saboreio o blended. Mistura perigosa em minha cabeça. Acabo sendo o último a passar pelo embarque.
Ao entrar na cabine da aeronave, sou recebido por uma comissária que me orienta ao local aonde sentarei. Vejo a morena sentada na poltrona do meio e conversando com uma passageira sentada na poltrona do corredor.
- Puxa, Malu, adorei aquele seu trabalho! Além de bonita, você trabalha muito bem...
Percebo que a minha morena não quer muita conversa com sua colega. Deu a impressão que elas não se conhecem, realmente, e Malu – é este o nome pelo qual a outra passageira a chamou – está apenas respondendo com monosílabos.
- Olá, a quanto tempo não nos vemos.
- Não o suficiente – resmunga de volta.
- Ora, sei que foi um dia ruim, mas tente levar pelo lado bom.
- Que lado bom?
- Passei agora pela classe executiva e só vi perua deslumbrada e político. Aqui terás uma boa companhia.
- Você? Que pretensioso!
- Ora, falei sério quando disse que poderia ir na janela. Eu fico no meio. Não quer que eu ponha isso aqui em cima? – digo, apontando para uma bolsa que ela leva no colo.
- O que eu vou ver a esta hora? Só se for o seu ego a milhares de metros do chão.
- Touché! Língua afiada, mas mantém a classe.
- Vocês se conhecem? – pergunta a passageira sentada ao seu lado.
- A pouco tempo, de fato. Charles Coyote, madame, muito prazer – digo, pegando a mão da passageira e beijando-a.
- Oh, quanta gentileza.
Malú balança sua cabeça. Já estou ficando íntimo deste seu gesto.
- Mas fique à vontade para se sentar à janela, Malú.
- Se eu precisar vomitar, uso os sacos apropriados. Além do mais, as janelas não abrem, mas acho que você deve saber.
- Dois a zero. Mas se fizer a gentileza, gostaria de conversar com esta senhora agradável que conheci...como é seu nome, mesmo?
- Solange.
- Pois bem. Se puder fazer a gentileza...
Ela se levanta e senta-se à janela. Sento-me entre ambas e entabulo uma conversa com Solange. Após os procedimentos de decolagem, estamos voando sobre São Paulo. Cantarolo o verso de uma canção, “Namoro São Paulo da janela do avião/Neons desenhando um céu de estrelas lá no chão”. Solange diz conhecer e adorar a música.
- É muito bonita. Eu sugeri à Vânia incluir em um trabalho...
- Você conhece a Vânia Bastos?
- Sim, e o Arrigo, também.
Continuamos nossa conversa, e ela acaba se esquecendo da Malú. Eu propositadamente a ignoro, mas percebo que, apesar de estar lendo a revista que comprara no aeroporto, ela está atenta com o que falo. A primeira meia hora de vôo converso bastante com Solange, mas o cansaço acaba vencendo-a, e ela pede licença para tirar um cochilo. Peço a comissária um Whisky e espero lendo uma revista de bordo. Disfarçadamente olho para as pernas de Malú, cruzadas, mostrando sua coxa.
- Você é sempre tão petulante?
- Sua amiga não achou isso – respondo, olhando para a revista.
- Ela não é minha amiga. Não a conheço.
- Mas ela a conhece, ou pelo menos acha isso.
- Normalmente é assim. E você não me conhece, mesmo?
- Não tive o prazer de me apresentar. Afinal, foi um dia ruim para você.
- De fato. Mas admito que estava muito nervosa lá embaixo.
- Desculpas aceitas. Charles Coyote – digo, estendendo a mão.
Ela balança a cabeça mais uma vez, porém acompanhado de um sorriso. Ela retribui o gesto e apertamos as mão. Enquanto Solange dormia, conversamos bastante. Soube que ela é atriz de cinema e TV, que é casada com um músico que não conheço. Acho que é de Rock, e também escreve livros policiais. Ela estava voltando a trabalhar na TV após alguns anos afastada. Ela finalmente tira aquela bolsa do colo. Noto que está mais à vontade. Ofereço-lhe vinho. Apesar de os vinhos servidos na classe econômica não serem dos melhores, as comissárias trazem um vinho normalmente servido na classe executiva. Provavelmente por conta do incidente com sua reserva.
Estamos sobre Recife, mas vejo que o tempo está muito ruim. O avião sobrevoa durante algum tempo em círculos.
- Ele deveria ter pousado – reclama Malú.
- O tempo não está bom.
O comandante da aeronave fala à todos através dos fones da cabine, explicando que por problemas de visibilidade não seria possível descer no Aeroporto de Recife, e que pousaríamos no Aeroporto de João Pessoa.
- Ah, Não é possível. Está dando tudo errado hoje!
- Ora, tenha calma. João Pessoa fica próximo daqui. Chegaremos em quinze minutos. Acho que iremos de carro para Recife...
- Eu não acredito...
- Ora, vamos ver o lado bom das coisas. Olha, você conhece João Pessoa?
- Não, mas não sei se é a melhor hora...
- Claro que não haverá tempo para mostrar tudo, mas eu a convido para um passeio na orla marítima. Você vai adorar.
Como disse, chegamos em pouco tempo ao Aeroporto Castro Pinto, aonde os funcionários informaram que ficaríamos em um hotel e que iríamos a Recife no dia seguinte, de avião ou de carro.
- Ótimo. Conheço o hotel. É lindo, fica praticamente dentro da praia, as ondas batendo na parede do hotel. Conheço o gerente. Vamos escolher um quarto voltado para o mar, para dormirmos ao som das ondas...
- “Vamos”?
- Estou sugerindo. Eu vou escolher o meu assim...
A empresa aérea resolveu me ajudar, pois o responsável presumiu que estivéssemos viajando juntos e reservou um único quarto para nós.
- Eu estou perdendo a calma, quanta incompetência!
- Calma, ao chegarmos ao hotel, falamos com o gerente e ele dará um jeito.
Nos despedimos de Solange, cujo destino final era João Pessoa mesmo. Chegamos em minutos ao hotel na praia de Tambaú. Sugiro deixarmos as coisas no saguão do Hotel e a convido para uma cerveja à beira da praia. Ela reluta, mas argumento que seria o tempo para o gerente acertar as coisas. Levo-a a um quiosque a poucos metros do hotel. Pedimos chopp e um prato de camarão. Como já é tarde, não tem muitas pessoas no bar. Um cantor toca violão no palco, cantando algumas músicas românticas. Ela mexe bastante seus cabelos longos, apoiando sua cabeça pendente em sua mão direita, me olhando enquanto lhe falo sobre poesia, arte, vida. Pego em sua mão. Sinto sua pulsação elevada.
- Sabe que não deveria estar acontecendo isso.
- Quem sou eu para legislar acerca dos desejos de uma mulher? Além do mais, esta terra tem dom de despertar paixões...
- Estou achando tudo lindo. Esta vista do mar, esta brisa...
- Deveria vir aqui com mais tempo para conhecer tudo.
O dono do bar vem me cumprimentar e eu apresento minha nova amiga a ele. Ele fica um tempo conosco, mas se retira logo. Ao se despedir, me abraça, e aproveita para falar baixinho ao meu ouvido.
- Tu não perdoa nada mesmo, não é?
- Apenas amiga...
- Amiga, claro.
Já é tarde, e o álcool ingerido está cobrando seu preço. Vamos ao hotel, e converso com o Gerente sobre a situação dos quartos separados. Ele fala que já levara as bagagens dela para o quarto inicialmente reservado para ambos, e que eu iria para outro quarto. Eu a acompanho até a porta de seu quarto. Passamos pelos corredores abertos e arborizados, cruzando a piscina e o salão de jogos, até chegarmos ao apartamento no qual ela dormiria. Entrego as chaves em sua mão, não perdendo a oportunidade de tocar seus dedos.
Antes que pudesse me despedir ou fazer algo, ela me puxa pelo colarinho e me encosta contra a parede, me beijando com vigor. Sua perna direita sobe, fazendo subir sua saia. Minha mão ajuda-a e sinto o toque da renda de sua calcinha, o calor do seu sexo entre meus dedos.
- Não acha melhor entrarmos? – digo, quando o longo beijo acaba.
Pego de volta a chave e abro a porta. Suas pernas abraçam meus quadris e eu a seguro pelas costas, a levando para dentro. Ela me empurra contra a porta para fechá-la, e abre minha camisa arrancando os botões, que voam pelo quarto.
- Língua afiada...
- Mais do que você pensa...
Ela prova isso após tirar as minhas calças. Ela me suga, me absorve. Acaricio seu rosto e a levanto com certa violência, jogando-a sobre a cama. Termino de tirar sua roupa, arrancando-a de seu corpo. A atraco de bruços, penetrando-a por trás, segurando seus seios pequenos. Ela fica de quatro e me pede para que eu lhe bata, e dou uns tapas em suas nádegas, depois beijando-as. Trepamos o resto da madrugada. Cochilamos um pouco e acordamos com as ondas batendo logo abaixo de nossa janela, o sol surgindo logo cedo.
- Que horas são?
- Cinco e meia. Aqui o sol nasce primeiro.
Ao me abraçar, ela vê a minha mala encostada na cabeceira da cama, junta às malas dela.
- Seu safado. Você não conseguiu outro quarto coisa nenhuma.
Apenas sorri, cínico. Sua reação foi outro daqueles sufocantes beijos. Ainda houve tempo para uma longa despedida. Sabíamos que provavelmente não nos veríamos mais, pois cada um seguiria seu caminho, e ambos queríamos esticar aquele instante. Que mulher! Malu, mulher! Me alimentei de libido em seus seios, me fartei de luxúria em suas nádegas, e encontrei o paraíso em seu sexo. Em tempo, uma senhora trepada!
Após o café da manhã, nos despedimos. Resolvi ficar na cidade mais um pouco, mas ela precisava ir. Senti-a um pouco constrangida. Afinal, ela era casada. Fomos pragmáticos e não trocamos telefone. Como disse, era pouco provável que eu a visse novamente. A não ser em algum trabalho seu. Mas como raramente assisto a TV...
Após ela ir embora para o aeroporto, fiquei á beira-mar observando os pequenos barcos pesqueiros voltando. Me lembrei de Beatriz. Sempre que estou sozinho, acabo sendo levado pela rede de arrasto das recordações dela. Mas me lembro de ter pego o telefone de Solange. Será que ela topa vir à praia agora pela manha?

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