O Busilis Blog

Este é o blog do Site www.obusilis.com. O Dia-a-Dia do Brasil e do Mundo no nosso diário de uma forma que ninguém ousa publicar. O mundo do ponto de vista Busilis.

quarta-feira, outubro 22, 2003

 
Eis ai, Um texto muito bom do Arnaldo jabor. é apenas uma colaboração para o Site "Crazyman" do nosso originalizado amigo Rodrigo Marcio. mas aguarde! em breve estarei colocando algo de minha autoria.. abraços por tras Marinésio (careca)

Amor e Sexo
> (Arnaldo Jabor)
>
> "Amor é propriedade. Sexo é posse. amor é a lei; sexo é invasão.
> O amor é uma construção do desejo. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo que é tomado por ele.
> Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo são como a palavra farmakon. em grego: remédio ou veneno - dependendo da quantidade ingerida.
> O sexo vem antes. O amor vem depois.
> No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde.
> O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento pode atrapalhar.
> O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas.
> O amor é o desejo de atingir a plenitude. Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude.
> O amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O sexo pode ser, dependendo da posição adotada.
> O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário, não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.
> O amor é mais narcisista, mesmo na entrega, na doação. O sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo.
> Amor é um texto. Sexo é um esporte.
> Amor não exige a presença do outro. O sexo, mesmo solitário, precisa de uma mãozinha.
> Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até na maior solidão e na saudade.
> Sexo, não - é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade.
> O amor vem de dentro. O sexo vem de fora.
> O amor vem de nós. O sexo vem dos outros.
> Amor é egoísta. Sexo é altruísta.
> O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas.
> O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge mas não se explica.
> Amor é literatura. Sexo é cinema.
> Amor é prosa. Sexo é poesia.
> Amor é mulher. Sexo é homem.
> Amor dura muito. Sexo dura pouco.
> Amor busca uma certa grandeza. O sexo é mais embaixo.
> O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade.
> Com camisinha há sexo seguro, mas não há camisinha para o amor.
> O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado.
> Amor é a lei. Sexo é a transgressão.
> Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados.
> Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa.
> O grande amor só sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder.
> Amor é de direita. Sexo, de esquerda - ou não, dependendo do momento político.
> Atualmente, sexo é de direita.
> Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta."
>

quinta-feira, outubro 16, 2003

 
VIRADO NO CÃO: RECEITA PRA SE FAZER UM HERÓI

Fim de mês. Matheus Murdoca passa na repartição aonde NÃO trabalha para apanhar o contracheque. Em seguida volta ao muquifo que ele e seu sócio Nelson Folgado chamam de escritório. Murdoca encontra Folgado eufórico de alegria.
- Murdoca, temos uma cliente!
- Mas eu não vou ter que tirar Babalu da cadeia de novo porque ela chutou o pau do barraco quando pegou mais uma vez o cafetão dela com outra pu...
Por trás de Nelson, surge uma mulher de corpo atlético, vestindo malhas.
- Queira desculpar o meu sócio, Solange. Ele é jovem e muito entusiasmado.
- Matheus Murdoca, a seu dispor. Em que podemos ser úteis.
Com ar de choro, ela começa a contar sobre seu marido, reclamando que ela o trata mau, a espanca e a trai constantemente.
- E você já deu queixa?
- E adianta? Plácido tem muitos amigos importantes...
- Vamos processar este canalha! – grita eufórico Matheus, quase babando sobre o decote de Solange..
- Eu preciso de proteção. Eu o deixei e ele jurou me matar.
- Eu a protejo! – replica Matheus, entusiasmado com a cruzada de pernas da cliente.
- Calma aí, Murdoca...-intervém Nelson.
- Calma não! Eu não admito que um canalha como este maltrate uma jovem beldade como ela!
Solange tira uma foto da bolsa e mostra a Matheus.
- Olha ele aqui ao meu lado na foto.
Matheus pega a foto e meio que perde o entusiasmo.
- Meio grandinho, né?
- Ele é quase trinta centímetros mais alto que eu.
- É fortinho, também...
- Ele fazia musculação e praticava Jiu-Jitsu no clube no qual eu trabalho como personal trainer.
Nelson se segura para não rir ao ver a foto, e comenta.
- Orra, meu, a figura é a cara do Vin Diesel!
- Ele morre de raiva quando dizem isso. Mas vocês vão me defender, não?
Com a cara mais cínica do mundo, Nelson Folgado olha para Matheus e solta.
- Como meu sócio falou, ELE vai protegê-la enquanto cuidamos do caso.
Solange sorri com aquele sorriso que só uma mulher que quer muito algo sabe sorrir. E Matheus retribui meio sem graça.


- Puta merda, Nelson, tu me meteste em uma enrascada!
- Azar o teu. Estávamos ali para oferecer apoio jurídico, não para bancarmos os cavalheiros em armadura reluzente. Ah, mas quase ia me esquecendo: temos um verdadeiro herói aqui.
- Não começa com isso, Folgado. Pensei que tu tinha esquecido esta idéia ridícula.
- Claro que não. Olha aí a tua chance. Tu vai fatasiado de tinhoso e dá uns cacetes no marido dela. Problema resolvido.
- Muito fácil. O fato do camarada pesar o triplo de mim e lutar Jiu-Jitsu não conta.
- Ora, você deu conta de três homens armados.
- Só um tava armado, e Zé Velhaco não é exatamente um parâmetro confiável.
- Bem, todo herói precisa de uma arma u habilidade especial...
- Para resolver este caso, cairia bem um fuzil de assalto com lança-granadas, ou uma metralhadora leve com alimentação por cinta...
- Sai dessa. Já viu herói que se preza usar arma de fogo? Tem que ser no braço, ou no máximo algum acessório...
- Que raio de sócio é você, Folgado? Quer me lascar, mesmo!
- Calma aí, homem. Temos que passar uma imagem de herói impávido, colosso!
- “Temos” os colarinhos! Só eu é que me lasco nestas tuas idéias.
- O negócio é o seguinte: você precisa aperfeiçoar suas técnicas de combate corpo-a-corpo e uso de armas marciais.
- “Técnica de combate”? Meu, so mais próximo de uma briga que eu já tive é quando me agarro com mulher feia...
- É isso. Você precisa de um instrutor, um mestre, um personal trainer...
- Solange estaria de bom tamanho.
- Sei...imagino o tipo de “combate corpo-acorpo”você quer fazer com ela...você bem que podia olhar mais discretamente para a bunda dela
- Mas não era uma bunda...é A bunda. Meu, devíamos processár Deus por ter concebido algo tão plasticamente simples que deixa qualquer marmanjo de queixo caído...
- ...o suficiente para o otário inventar de encarar um armário duplex que luta Jiu-Jitsu. Bem, seus problemas acabaram! Você precisa tomar aulas com o grande mestre pau-pra-dar-em-doido.
- Cumequié?
- É sério. O coroa manda ver. Dizem que ele é mestre em Kung-fu, karate, kempo, savate, sinanju, ninjutso, kendo, kyudo, tae-kwon-do, capoeira, kravmagá...
- Caralho! Tu já viu o cara lutando?
- Bem, que eu tenha visto, não...mas o cara joga uma sinuca, que vou te contar...
- Tá, Tá. Supondo que eu aceite, só por curiosidade, por que este nome?


-AI! – grita Matheus ao estender a mão em saudação ao homem de meia-idade a sua frente, que golpeia a mão estendida com um golpe de cajado.
- Conheça pau pra dar em doido, o famoso mestre.
- Hmrsrthr! – resmunga o coroa, de forma ininteligível.
- Bem, como já tinha falado antes, este é Murdoca, e ele gostaria muito de ser seu pupilo.
O velho, sem olhar para Murdoca, que ainda agita a mão dolorida, resmunga.
- Indisciplinado, moleque, indulgente, emocional.
- O prazer é todo meu – responde, irônico, Matheus.
- Você não serve pro treinamento. Complacente, folgado. Também deve ter mau hálito e peida.
- Maravilha. Chegamos a um acordo. Vamos embora, Nelson.
- Ei, peraí. Vamos, ele serve pro treinamento. Além do mais, tem aquela brejeira que eu prometi.
O velho coça o queixo, depois fala.
- Começamos amanhã. Então saberemos do que você é feito, rapaz.
- Bem, meu saco não é de borracha e nem minha mão é de ferro, por isso deixa disso de me bater.


- Ai, doeu, pô.
- Primeira lição: eu dou porrada quantas vezes eu quiser. Achou ruim, lasque-se pra lá.
Ambos estão sozinhos em um velho armazém no antigo porto.
- Bem, devo chamá-lo de seu pau ou senhor doido?
- Hmrsrthr!
- Bem, estamos nos entendendo. O que devo fazer, agora?
- Deve treinar golpes e desenvolver os reflexos através de exercícios específicos.
- Que tipo de exercícios? Devo usar equipamento especial?
- Sim. Pegue. Vassoura, lixa, pano, cera para polir, pincel, tinta e cera para taco. Comece pintando a cerca, após isso encere o chão e depois vá polir aqueles carros.

Horas depois, após encerar o piso, pintar uma cerca e polir cinco carros, Murdoca está quebrado.
- Ô, seu Myiagy, já assisti este filme. Quer dizer que após tudo isso eu sou capaz de me defender de golpes através de movimentos circulares ou ascendentes e descendentes que meus braços adquiriram após estes exercícios condicionadores, não é? Vamos, tente me bater.
Murdoca fica gesticulando com os braços, repetindo os movimentos que utilizara até agora nas atvidades. O mestre simplesmente envia o cajado e acerta a cabeça dele, que cai sentado.
- Ai, porra, não funcionou! O que deu errado?
- Nada, meu jovem – responde o mestre, segurando um maço de dinheiro – eu apenas aproveitei e peguei este serviço que você acabou de executar e ganhei uma grana por fora. E você fez um pequeno aquecimento para o que vem.
- Aquecimento? Puta que pariu! Não acredito que estava trampando até agora
para tu ganhar dinheiro?!
- Como diria seu Myiagy, se não agüentar, corra!
- Merda. Vamos, o que vem, agora?


- Vamos escolher uma arma para você utilizar. Seu amigo pediu isso.
- Amigo...pois sim.
- Venha e escolha.
O mestre abre um armário aonde há vários tipos de arma branca.

NUNCHAKO
- Estou me sentindo o próprio Bruce Lee! Olha só a minha habilidade! Sob o ombro, sob o outro, entre as pern...AAAAAAHHHHHH, MEUS OVOS!!!
- Hmrsrthr! – se limita a resmungar.

BASTÃO
- Este sim. Vamos, lá, girando sobre a cabeça, cada vez mais rápido, em movimentos graciosos, agora o ataque!
O movimento rápido para frente do bastão o faz golpear o chão com violência, fazendo com que ele volte com força em sentido oposto, acertando a cabeça de Murdoca, que perde os sentidos.
- Hmrsrthr!

ADAGAS SAI
- Bm, vamos lá. É só girar as adagas nas mãos e fazer movimentos...
Enquanto gira as adagas, elas escapam de suas mãos. Um quase acerta o mestre, que a detém com o seu cajado.
- Ué, cadê a outra....ai, meu pé!!!
- Hmrsrthr!

SABRE SAMURAI
Segurando o Katana com ambas as mãos sobre a cabeça, Matheus faz pose e a mantém. Por fim, desfere um golpe contra um oponente imaginável. O problema é que havia uma corda perto do “oponente”, que é cortada com o golpe. Como a corda estava segurando uma viga pendurada, ela cai sobre a cabeça de Murdoca.
- Uhh.....!
- Hmrsrthr!
-
ARCO-E-FLECHA
- Pô, seu Pau, tu só faz resmungar. Nenhuma palavrinha de estímulo?
- Vê se Nào acerta tu mesmo com isso. Não é possível que você consiga isso...
- Vleu, mestre. Vamos lá.
Mirando um alvo olho-de-boi a uma certa distância, ele começa a fazer mira e dispara a flecha, que passa a uma distância considerável do alvo.
- Patético. De novo.
Horas depois, há flechas enfiadas em tudo que é canto do galpão, menos no alvo.
- Pelo menos ainda estou inteiro...- comenta Matheus ao disparar mais uma flecha, que não acerta o alvo e atravessa uma janela. Escuta-se um grito.
- Ahhh, quem diabos me acertou?!
Em segundos, entra um homem grande e gordo, com a flecha enfiada na bunda. A primeira coisa que vê é Murdoca segurando o arco.
- Mau aí, chefia, não sabia que tava carregado...
Antes de terminar a frase, um enorme punho acerta-lhe o olho, colocando-o a nocaute.

Horas depois, Nelson folgado vai encontrar com Matheus e seu mestre num boteco com sinuca. Matheus está com vários hematomas e machucados.
- Caralho, tu vai precisar mudar o nome de “Virado no Cão” para “A Múmia”, usando tanta bandagem e esparadrapo.
- Vai dar meia hora, Folgado. Estou achando que se eu fosse encarar o Vin Gasolina eu iria me machucar menos.
- Bem, pelo menos ele já sabe usar alguma arma, pau-pra-dar-em-doido?
- Hmrsrthr, sim – resmunga o velho enquanto encaçapa algumas bolas.
- Beleza. E qual é?
Murdoca tira do bolso da camisa um spray de pimenta.
- Isso?
- E não duvido que ele use em si mesmo como descongestinante – comenta pau-pra-dar-em-doido.
De repente as atenções se voltam para a TV instalada no bar. A programação é interrompida para noticiar um boletim policial.
- Olha só, Murdoca. Ali não é Solange na TV?
- Com peito, coxa e bunda – responde Matheus – e quem é o pouca-telha do lado dela?
- Vixe! É o marido dela! Parece que ela está refém dele no clube que ela trabalha!
- Caramba, o cara se parece com o Vin Diesel mesmo.
Como se respondendo a Murdoca, o marido de Solange grita para as câmeras.
- Vin Diesel é a puta que pariu!
Nelson não perde a oportunidade.
- Olha aí, Murdoca, a chance que estávamos esperando para ver o Virado no Cão em ação!
- Estávamos os escambau!
- Olha só, se você salvar Solange, mesmo disfarçado, você pode dizer que pediu ao Virado no Cão para salvá-la! E consolida sua fama de herói! E quem sabe fatura a mulher.
- Você sabe argumentar mesmo, Folgado. Vai, pega o diacho da fantasia.
- Você não completou seu treinamento, moleque indisciplinado – interrompe o Sr.Pau.
- Ah, e o que temos para amanhã? Vou limpar um quintal, dedetizar uma casa ou limpar ar-condicionado de padaria. Ora, senhor pau-no-seu-cu, você está é me tapeando. E olha que eu entendo de tapeação. E quer saber? Você não joga tão bem sinuca assim....vai folgado, eu vou enfrentar este desafio.


Agarrado com Solange, seu marido a sacode, fazendo ameaças.
- Você vai deixar de trabalhar nesta porcaria de clube e vai voltar pra casa!
- Não vou! Cansei de apanhar. E agora eu tenho quem me defenda.
- Ah, quem poderá lhe defender?
- EU! – grita Murdoca ao entrar na sala, já fantasiado de capeta.
- Chapolin ?– pergunta Plácido.
- É a senhora sua mãe, Vin Diesel!
- Vin Diesel é o cu da tua mãe, viado!
- Solte a jovem dama e suma daqui, ou pagará por seus crimes, vilão!
- Ah, tu e quem mais vai me encarar, hein?
- “Vão me encarar”. Tá todo errado, até na concordância.
- Meu herói – grita Solange.
- Estou aqui para salvá-la. Murdoca me pediu.
- Quem é Murdoca? Este também vai apanhar!
Plácido parte para cima de Murdoca. Este saca seu spray de pimenta e solta um jato em direção ao rosto de seu oponente.
- Minha arma secreta!
Plácido pára, tosse um pouco. Logo em seguida, pigarreia. Olha para o spray na mão de Murdoca e o toma, apontando-o para a boca aberta e disparando jatos.
- Que beleza, acabou com a minha irritação na garganta. Posso imitar o Barry White, de novo! “Don’t go changing...”
- Que beleza de arma...
- Agora, a minha arma secreta.
Dito isso, ele saca duas raquetes de tênis. Em seguida, desfere uma série de golpes com elas contra Murdoca. Caído em um canto, Murdoca fala.
- Raquetes de tenis...eu devia ter tido esta idéia, antes.
- E esta é para não se meter em assuntos de marido e mulher.
O murro faz Murdoca atravessar a sala e praticamente entrar voando na sala de jogos do clube, caindo por cima de uma mesa de sinuca. Se recompondo, Murdoca vê o seu inimigo se aproximando. Olhando em volta, ele vê um par de tacos de sinuca. E os pega.
- Vou acabar o serviço e vou palitar os dentes com este chapolin de araque.
- É Senhor Virado no Cão para você, Vin Diesel.
- Vin Diesel não!
O golpe da raquete é detido pela ponta do taco, que se enfia na tela da raquete. Em um rápido movimento, Murdoca desarma Plácido de uma das raquetes, depois da outra.
- Não preciso disso! Você vai cagar osso depois da surra que eu vou te dar!
Em sucessivos golpes, Murdoca acerta as mãos de Plácido. Aumentando oritmo dos golpes, o demônio atrevido castiga seu oponente como um baterista raivoso que usa suas baquetas em um ritmo acelerado, não dando chance de defesa a Plácido.
- Toma isso, vilão! E isso!
Plácido cai de quatro. Enquanto engatinha, tentando se levantar, Murdoca passa giz na ponta de um dos tacos e acerta o saco do vilão. O último golpe – os dois tacos contra as orelhas, fazendo um “telefone”- põe a nocaute o dublê de Vin Diesel.
- Você conseguiu!
- Mas é claro.
Solange agarra Murdoca e o enche de beijos.
- Agora este vilão será entregue a justiça.
- Mas nem ferrando – Plácido se recupera e saca um revólver de cano curto.
Reagindo rapidamente, Murdoca atinge com um dos tacos o fundo de uma caçapa da mesa de bilhar, fazendo saltar uma das bolas. Murdoca pula e chuta a bola ainda no ar. Esta ganha velocidade e atinge Plácido na boca, quebrando seus dentes e fazendo ele engolir a bola antes de desmaiar.
- Yes! Morra de inveja, Jet Li! Só queria ver a cara de Vin Diesel quando a bola for sair...
- Vin Diesel é a vó...- diz Plácido, e volta a desmaiar.
- Você é incrível. Quem é você? – questiona, curiosa, Solange.
- Agora os vilões devem temer algo mais. Espalhem a novidade: Virado no Cão está na cidade e não tem pra ninguém!
Cheio de sim mesmo, ele sobe na janela, e antes de sair, ele fala a Solange.
- Sempre que precisar, estarei por perto.
Em seguida, salta. Segundos depois, escuta-se um barulho de metal batendo.
- AAAAIIIII!


- Que idéia de jerico foi esta de saltar de uma janela do terceiro andar?
De volta ao botequim, Nelson conversa com Murdoca, que acrescentou uma bandagem num dos pés aos demais curativos.
- Todo herói não faz isso? Ora, pois. Mas fiz o serviço. Mandei o bandido pro xiindró, ganhei o coração da gata. E aí, o que acharam?
No outro canto da mesa de sinuca, está pau-pra-dar-em-doido. Em pé, impassível, se limita a comentar.
- Hmrsrthr!
- Acho que ele ainda está chateado porque você foi agir sem concluir treinamento.
- Não é nada disso- rebate Murdoca – é que estou ganhando três partidas seguidas! Saca só.
Com o taco de sinuca, Murdoca acerta uma bola, que atinge outras, encaçapando três bolas.
- Aí. Eis minhas armas! – comemora Murdoca, virando uma dose de cachaça garganta abaixo.
- Tou vendo que ele não tá gostando muito...-comenta Nelson Folgado.
- Quiéisso...o Sr,Pau aqui é uma criatura espiritual, que transcende estas coisas de competitividade, e acho que ele é superior o suficiente para admitir que encontrou um adversário a altura. Aperta aqui a minha mão, mestre!

Já no escritório, Murdoca enfaixa a mão, que está vermelha e inchada.
- Murdoca, aquele tapa com o taco doeu até na minha mão. Mas quem mandou provocar o velho?
- Caralho, não sabia que ele era tão mau perdedor. Logo agora que eu tinha marcado pra sair com a Solange...
- Esquece. Ela ligou desmarcando.
- Ué, por quê?
- Ela disse que iria visitar o marido na cadeia, que apesar de tudo, ainda o ama, blá, blá, blá...
- Mas é uma vaca. Eu mereço.
- Bem, veja o lado bom. Agora iremos defender o marido dela. De um jeito ou outro, foi bom pros negócios.
- Acho que o dinheiro que ganharmos será gasto em curativos e analgésicos.
- Bem, se prepare que você continuará o treinamento e voltará a atacar. O Virado no Cão veio para ficar!
- Que tal TU usar a fantasia?
- Não me cabe. Fora que você tem o dom. É o destino!
- Meu, tenho pena dos nossos clientes. Tu tem uma lábia...
- Tá bom. Deixa de chorar e me passa a garrafa de whisky. E se sobrar gelo desta compressa, põe no copo.
Nosso herói se saiu bem em seu primeiro desafio. Mas novos vilões virão para desafiar o homem sem medo: Maria Tifode, Truco-Man, o bandido free-lancer e o temível chefe do crime, Caixa-D’água!


 
Jecé Tico, o médium que não acredita em espíritos
Jecé sempre foi um cidadão comum, com uma pequena exceção: ele duvidava de coisas que a maioria das pessoas acreditava. Sua paixão era o método científico, era fã de Carl Sagan, desdenhava de homeopatia, Feng Shui, quiromancia, horóscopo. Paulo Coelho era charlatão e picareta, segundo sua própria definição. Já acabou diversos namoros só porque descobria que suas namoradas acreditavam em duendes ou anjos. OVNS e abduções alienígenas eram piadas de mau gosto. Enfim, um cético. Aliás, seu nome é Jecé Tico.
Um belo dia, Jecé Tico estava viajando de ônibus. Ao seu lado, uma bela mulher. Ele puxa conversa. Ele diz ser advogada e trabalha como estagiária no fórum da capital. Enquanto conversavam, na TV do ônibus passava um filme. Era “Jurassic Park”.
- Já assisti esta porcaria umas dez vezes.
- Pois é.
Jecé já estava mau intencionado e estava prestes a dar o bote definitivo. Porém, ela puxa assunto sobre os dinossauros.
- Os dinossauros...engraçado eles terem morrido...
- Existem algumas teorias sobre o seu desaparecimento...
- Pois é. Já eu acho que eles morreram porque eram muito grandes para a Arca de Noé.
Jecé quase tem um ataque, mas se controla para não ser grosseiro. Apesar de ainda querer muito passar umas horas agradáveis com a jovem, a idéia de se lembrar desta “pérola” na hora H e broxar não sai de sua cabeça. De repente um barulho grande. E tudo fica escuro.

- O que houve?
- Você está me escutando? Quantos dedos tenho aqui?
- O bastante. Onde diabos estou? Por que estou deitado? É um hospital?
- Ocorreu um acidente grave no ônibus que você viajava. Você foi internado às pressas. A algumas horas você foi dado como morto, mas depois retomou os sinais vitais. É um milagre!
- Que mané milagre. Acho que seu eletrocardiograma é que deve estar com defeito. Por acaso pareço com alguém que quase morreu?
- Com é que é?
- Como é que é o que?
- Morrer. Você viu uma luz, um túnel...
- Pra falar a verdade, sim. Era o caminhão que vinha na contramão e trombou na porra do ônibus que eu vinha.
Parece que Jecé não deu muita importância a esta experiência próxima a morte. Dias depois, ainda em observação no hospital, ele está lendo um livro do Carl Sagan e escuta alguém chamá-lo.
- Ei, você pode me escutar ?
Jecé para a leitura e olha em volta. Não vê ninguém. Dá de ombros. Pouco depois, escuta de novo.
- É verdade. Você pode me ouvir.
Assustado, Jecé fecha o livro e olha em volta. Ninguém por perto.
- Agora lascou. Quem é o gaiato que tá tirando uma comigo?
- Ei, você não pode me ver, mas pode me escutar. Está me ouvindo?
- Quem diabos está falando?
- Meu nome é Rodrigues, e eu morri naquele acidente de ônibus.
- Ah, deve ser brincadeira, mesmo. Tou achando muito engraçado. Muito bem, pessoal, adorei, mas apareçam.
Entra uma enfermeira
- Deseja algo, senhor?
- Que acabem com esta brincadeira. Tem um gaiato fazendo alguma brincadeira.
- Não é brincadeira. Estou morto, mesmo.
- Você ouviu?
- Não ouvi nada não, senhor – responde a enfermeira, sem entender absolutamente nada.
- Ah, é brincadeira.
- Você precisa acreditar...
- Que ótimo. Tá bom. Já vi que é brincadeira. Pode sair de onde estiver.
A enfermeira sai lentamente.
- Vou chamar o médico. Acho que o senhor não está bem.
- Estou muito bem. É só parar com esta brincadeira.
- Não é brincadeira, já disse. Preciso de sua ajuda.
- Agora pronto. Quer acabar com isso!?
A enfermeira sai sorrateiramente do quarto, crente que o paciente está meio pancada.
- Enfermeira, aonde vai?
- Ele deve ter se assustado. Ele não pode me escutar.
- Quem vai escutar agora é você. Pode acabar com esta brincadeira, pois quando eu sair daqui você vai se preocupar em morrer de verdade.
- Já estou morto. Quer prova?
- Ah, tá. Vai me provar como? Vai fazer um retrato falado de Deus?
- Levante e siga minhas orientações.
Jecé se levanta e segue pelos corredores do hospital. Sempre olhando em volta, procurando a origem da voz, ele segue as orientações da mesma. Ele acaba entrando no necrotério do hospital.
- Muito bem, onde é a festa surpresa?
- Levante este pano.
Jecé obedece a voz e levanta o pano, vendo o cadáver rígido de um homem.
- Maravilha. Um presunto. E daí?
- Sou eu.
- Ah, que bela prova.
- Ainda acha que é brincadeira?
- Para falar a verdade, não. Acho que a pancada afetou minha cabeça e estou ficando doido. Preciso procurar o médico e dizer isso a ele.
- Você não está doido. Você quase morreu, mas não morreu. Mas, de alguma forma, esta experiência lhe deu a capacidade de escutar os mortos.
- Isso não existe. Canalização de gente morta é fraude. Nunca ninguém deu uma prova convincente disso. Ainda acho mais fácil eu estar doido. Já ouviu falar em Guilherme de Ockham?
- Que é que tem eu? –pergunta uma terceira voz.
- Quem é, agora?
- Acho que é teu conhecido, o tal Guilherme. Era parente seu?
- Ai meu saco. Ele era um filósofo católico da idade média, e ele cunhou uma expressão conhecida como “navalha de Ockham”, que diz que se duas explicações elucidam um fenômeno, deve se escolher a mais simples.
- Sim, e daí?
- Daí que temos duas explicações para o fato de estar escutado vozes: ou realmente adquiri a capacidade de escutar gente morta, que consiste em formas conscientes sem substância ou volume. Ou então o acidente perturbou a química do meu cérebro e estou tendo alucinações.
- Bem, a opção dos mortos me parece bem mais simples.
- Como é? Endoidou? Acha mais simples acreditar em vida após morte do que considerar todas as hipóteses neurológicas, como a administração de alguma droga, uma concussão, ou alguma vibração mecânica de baixa freqüência que afeta meu cérebro...
- Como eu disse, é a mais simples. Quer saber a opinião de seu colega Guilherme?
- Não, muito obrigado. Já basta uma voz em minha cabeça. Isso também pode ser um conflito interno, minha personalidade dividida entre que sou hoje e a minha criação católica...
- Meu, tu é complicado. Estou morto e você pode me ouvir. Quer mais simples que isso?
- Não é possível.
- Como não, você não está me ouvindo? Bem, vejo que você é uma pessoa não muito bem resolvida consigo mesmo.
- Ah, não. Além de tudo, um defunto que lê livros de auto-ajuda. Isso é demais.
- Ora, nunca leu Lair Ribeiro ou Paulo Coelho?
- Sou homem, porra. Ah, estou dando cabimento a voz em minha cabeça. Tenho que ignorar ele.
- Ignora isso: eu tava vendo tu ficar de pau duro quando a enfermeira estava lavando você.
- Bem, ele pode ter comentado isso com alguém.
- Só que ele não viu você se masturbando. Mas eu estava lá. Tu ainda toca punheta, cara? Fala sério...
- E daí que eu toco...digo, me masturbo?
- Oba. Toca uma em mim, então. Rêêêê!!
- Preciso de ajuda profissional. Urgente.
- O que? Vai procurar uma puta?
- Não é deste tipo de ajuda que estou falando...

Deitado em um divã, Jecé conversa com um senhor bem vestido.
- Quer dizer que o senhor está ouvindo vozes desde que sobreviveu ao acidente?
- Sim, doutor. Ele afirma ser um dos passageiros mortos.
- Isso provavelmente é um sentimento de culpa sublimado.
- Culpa pelo que?
- Por ter sobrevivido ao acidente, enquanto outros morreram.
- Ah, não acredito que você ainda acha que está louco – Jecé escuta a voz novamente.
- O senhor escutou, doutor?
- Está ouvindo as vozes, agora? Acho que seu caso é clínico. Devo prescrever algumas drogas...
- Que médico fajuto tu arrumou, hein?
- Quer calar a boca?
- O que disse?- pergunta o psiquiatra.
- Não é com o senhor, não.
- Ah, sim. As vozes. O que eles estão dizendo, agora?
Jecé espera alguns segundos. Depois fala.
- Ele tá chamando o senhor de charlatão.
- Uma óbvia reação de negação à verdade.
- Ele também está falando que você está pouco se fodendo para com seus pacientes, se limitando a encher o rabo deles de drogas. Também tá dizendo que você está enganando sua sócia e esposa. E que você é gay, e que está saindo com o paciente que vem aqui toda terça-feira à tarde.

Jecé é expulso, sendo empurrado para fora do escritório.
- O que houve com a minha hora?
- Não precisa pagar! Vá embora, não posso ajudá-lo!
- E minhas vozes?
- Vá você e suas vozes para a puta que pariu!
E bate a porta.
- Bem, que ele é gay, ele é. E Não assumido. Ele precisa se assumir, sair do armário...
- Então vá falar isso para ele. Eu, particularmente, não quero mais conversa.
- Você não pode me ignorar. Vou começar a cantar todo dia, toda hora. Vou começar. “Quer dançar, quer dançar, o tigrão vai ensinar...”
- Fudeu agora. Quer calar-se?
- Só se você me escutar.
- Tá, fala que eu te escuto!
Passa uma mulher neste momento, que olha desconfiada para Jecé.
- É só um novo tipo de terapia, minha senhora...
A mulher se afasta, olhando assustada para Jecé.
- Eu preciso de tua ajuda. Depois tu resolve se acredita ou não, tá certo?
- Se eu ajudar, você some?
- Com certeza.
- Bem, o que você quer?

Jecé sai do consultório e, guiado pele voz em sua cabeça, ele chega a um apartamento.
- Pronto, chegamos. O que devo fazer, agora?
- Toca a campanhia. Você deve falar com Miguel.
- Quem é ele?
- Meu... namorado.
- Ah, pronto. Tu era bicha? Além de tudo, mais essa. Tu tá me vendo pelado, por acaso? Bem, realmente é um defunto fresco...
- Ah, um comediante homofóbico. Isso, faz piada de minha desgraça.
- Bem, perco a canalização mas não perco a piada. Além do mais, você que começou com aquele história da enfermeira.
- Toque a campanhia. Quando ele atender, eu lhe dou instruções.
Após tocar a campanhia, atende a porta um homem jovem de cabelos escuros e curtos, com os olhos vermelhos. Parece que ele andou chorando.
- Boa tarde. Meu nome é Jecé. Você é Miguel?
- Sim, é ele. Fale com ele. Diz que tem um recado meu para ele.
- Tá, ta.
- O que disse, senhor? - pergunta Miguel.
- Nada, meu jovem. Preciso conversar contigo. E a respeito de Rodrigues, seu namorado...
- Por favor, entre...-ele não termina a frase, desatando a chorar.
Jecé entra e se senta. Miguel se recompõe.
- O que o senhor deseja?
- Bem, você pode achar até estranho ou achar que estou agindo de má fé, e nem acreditar em mim. De fato, nem eu estou acreditado muito...
- Não tapeia. Vai direto ao ponto – interfere a voz.
- Tá bom, tá bom. É o seguinte; eu estava no mesmo ônibus que seu namorado estava e que se acidentou.
- Você o conhecia?
- Pra falar a verdade, não...
- Vai direto ao ponto! - grita Rodrigues.
- Tá certo! É o seguinte: eu quase morri e agora eu escuto gente morta. Pronto, falei!
- Isso por acaso é alguma brincadeira?
- Ah, não acredita? Que bom, nem eu. Bem, com licença...
- Ei, aonde você vai? Ainda não falei o que você deve falar a ele.
- Ele não acredita, pronto. Isso prova que tem mais juízo do que eu. Vou embora, ora pois.
- Com quem você está falando? – questiona Miguel.
- Bem, com a voz que afirma ser o seu namorado.
- Olha, se isso é uma brincadeira, é de muito mau gosto. Vou chamar a polícia.
- Ah, agora lascou. Sabia que não daria certo.
- Você disse que me ajudaria. Não pode ir embora.
- Ele vai chamar a polícia. Creio que pra um morto não seja muito problema, mas acredite, pode ser muito inconveniente.
- Fala pra ele que eu ainda o amo! Ele vai acreditar!
- Ele falou que ainda o ama...ah, muito original. Dá pra dizer algo mais específico?
- Sai da minha casa.
- Estou tentando, mas ele não quer que eu saia.
- Diz pra ele que estou falando a respeito daquele noite que passamos sozinhos acampando enquanto seus pais pensavam que ele estava estudando. Só nós sabemos.
- Bem, ele mandou eu falar sobre aquele noite que passaram sozinhos acampando enquanto seus pais pensavam que você estava estudando.
- C-como você sabe?
- Só estou repetindo o que ele está me falando.
Ele senta-se e fica atônito.
- Só nós dois sabíamos sobre isso. Era segredo nosso. É verdade, então.
- Olha, meu querido. Tem outras explicações para isso. Ele pode ter comentado com alguém, e como você ainda está abalado emocionalmente, você estaria suscetível a crer em algo assim...
- Que porra tu tá fazendo? Agora que ele está acreditando, tu vem com este papo?
- Não posso evitar. Ainda não estou acreditando.
- Estou confuso. Você o escuta ou não?
- Eu estou escutando vozes, mas daí se são de gente morta ou é uma alucinação...
- Mas como você saberia deste segredo...
- Deve ter alguma explicação razoável.
- Ah, vá se foder. Em todos os médiuns em todas as cidades do mundo, tinha que parar logo em um que não acredita!
- Tá, tá. O que devo dizer, agora?
Miguel espera. Jecé fala.
- Ele tá falando que lhe ama muito, mas que precisa seguir em frente. E você deve fazer o mesmo. Ele te deseja muita sorte, que você arranje alguém, etc...bicho, que conversazinha pouco original. Acho que você assistiu muito “Alem da Eternidade”.
- Ah, meu saco. Apenas repete o que estou falando!
- Estou parecendo um destes vigaristas que quer arrancar dinheiro de viúvas incautas. Fala algo mais útil, como por exemplo a senha de alguma conta sua.
- Devo ter tomado caipirinha com o cálice sagrado em outra vida. Eu mereço. Vai, continua...
Jecé continua repetindo as frases de Rodrigues a Miguel. Por sua vez, Miguel conversa com Jecé como se estivesse convesando com seu namorado morto.
- Meu Deus, é incrível. Você escuta mesmo os mortos.
- Você se convence fácil.
- Não fode, Jecé – interrompe Rodrigues- Ainda não se convenceu que isso é verdade?
- Vai ser difícil.
- É sério? Você não acredita? Nem com as evidências? Você falou coisas que só eu e Rodrigues sabíamos. Qual é minha cantora favorita?
- Diz que é Bic Runga, uma cantora australiana.
- Quem é essa?
- Apenas diz, diacho!
- Ele falou Bic Runga.
- Olha aí. Ele não é muito conhecida por aqui.
Miguel se levanta e coloca um CD no toca-discos. Começa a tocar uma música cantada por uma voz suave e agradável.
- É isso?- pergunta Jecé.
- Mas tu é chato. Isso é lindo.
- Podia ser pior. Ainda bem que não é Celine Dion.
Miguel volta e se senta ao lado de Jecé.
- Adorávamos esta música. Seu nome é “Beautiful Collision”.
- Que bom. E aí, Rodrigues, vai passar mais um psicograma ou por hoje chega?
- Bem, eu queria pedir só mais uma coisa...
- Vai, o que é...?
- Já que você pode me escutar, talvez eu consiga me incorporar em seu corpo.
- Ah, ótimo. E daí?
- Se conseguir, gostaria de pedir mais uma coisinha...

Já na rua, Jecé começa a falar com visível irritação. Os transeuntes o observam, curiosos.
- Não acredito que você teve coragem de me pedir isso! Tu acha que eu tenho cara de quem costuma colar os bigodes com outro macho da espécie?
- Imaginei que era o mínimo que podia fazer por mim. Além do mais, o Whoopi Goldberg fez isso para o Patrick Swayze naquele filme, se agarrando com a Demi Moore...
- Miguel não é exatamente Demi Moore. Será que é isso? Eu sou um homossexual não assumido e esta voz seria o conflito interior de meu ego com meu superego?
- Ah, desisto. Vou pegar descendo. Digo, subindo. Descer nestas circunstâncias pode não ser muito bom.
- Que beleza. Só me faz um favor...não espalhe por aí que eu escuto gente morta o tempo todo. Até porque deve ter uma explicação razoável para isso tudo.
- Tá, tá. De qualquer modo, valeu.
- Tá. Putz, se isso fosse verdade, bem que poderia aparecer alguém mais interessante para trocar umas idéias...bem, preciso achar é uma explicação razoável para este fenômeno, antes que a Editora Planeta me descubra. Só falta eu chegar em casa e encontrar marcas misteriosas no meu jardim e começar a entortar talheres quando for comer...

quarta-feira, outubro 08, 2003

 
Como toda revista que se preze, estamos abrindo nossa seção de auto-ajuda, uma reciclagem dos conselhos sentimentais. Antigamente gente do quilate de Vinícius de Moraes e Nelson Rodrigues respondiam a cartas dos leitores com problemas (obviamente usando pseudônimos). Mas com o advento da cibernética, estamos disponibilizando o que há de mais avançado em Inteligência Artificial para orientar os nossos leitores no espinhoso ofício de viver. Esta semana, nosso AI (artificial Inteligence), diretamente do Japão, responderá aos leitores. Próxima semana, o consultor convidado será um especialista em sentimentos e natureza humana: Sr. Spock, do planeta Vulcano.

Leitor 1
"Querido AI, lhe escrevo para pedir conselhos sobre como me comportar ante as dificuldades do dia-a-dia. Como devemos tratar nossos semelhantes, resolver nossas diferenças? Por favor, me ilumine com um conselho seu."

AI
"O bambu se inclina ante o vendaval que arranca árvores e a flor de cerejeira despenca no terceiro dia. Tudo tem seu preço. Às vezes a vida o testa. Siga este exemplo e sinta harmonia com a natureza e seu eu interior, injetando ânimo e alcançando um essencial estado de graça"

Leitor 2
"Iluminado AI
Sou uma pessoa muito sentimental, mas meu namorado é muito insensível. Ele só quer saber de futebol, cerveja com os amigos e sexo. E eu quero mais que isso. O que devo dizer a ele?"

AI
"A cerejeira se inclina alcançando e sentindo seu eu quando o vendaval despenca, por exemplo, arrancando suas flores às vezes. Harmonize a natureza do bambu e da árvore essencial injetando vida e seguindo para o interior do Estado no terceiro dia do teste"

Leitor 3
"Excelentíssimo AI:
Tenho um problema: no meu trabalho meu chefe me chama o tempo todo de baixinho chifrudo. Um dia comentei com minha esposa, e desde este dia ele me chama de baixinho chifrudo fofoqueiro. Isso é um sinal místico?"

AI
"O vendaval do terceiro dia faz despencar o preço do bambu no Estado. Sinta ânimo! Tudo que inclina cai, flores, árvores, por vezes cerejeira. Exemplo essencial de harmonia é a graça interior da natureza seguindo a vida."

Leitor 4
"Aê mano AI
Tipo, tou com um embaço no juízo. Tou muito afins de uma mina muito responsa aqui do pedaço, mas a gata só quer saber de ler uns livros estranhos duns feinhos de nome esquisito, sacomé? Uns tal de Nítichi, Jampolsartri, Alberto Quamí. E quando a chamo pra ir pruns baile funk do MC Serginho, ela sai com umas parada de xingar as música que curto de "superficial", "subcultura", "produto de alienação das massa". Num entendo nada, mas se eu insisto muito, ela chama de " merda". E aí? Tem jeito?"

AI
"De graça, até injeção na testa. Nem tudo que despenca da cerejeira é flor. A natureza interior das árvores sente que inclina o terceiro bambu do Estado, é a essência do exemplo que Graça seguiu com ânimo a vida toda. Às vezes de dia."

Leitor 5
"Um amigo meu não acredita que os dinossauros foram extintos porque não couberam na arca de Noé. Como devo convencê-lo disso?"

AI
"Injetar essência de flor de bambu três vezes por dia. Incline o estado, arranque o preço, harmonize a testa. O vendaval da vida e alcança Graça no interior. Essencial exemplo seguido com animo na natureza das árvores. Eu me sinto cerejeira que despenca ante tudo!"

Leitor 6
"O que é necessário para ser feliz? A felicidade consiste em ter dinheiro, poder, mulheres? Ou apenas uma casinha no campo, gados pastando, limpar a merda dos sapatos, não ter água encanada nem telefone? O que diz, mestre?"

AI
"Sente em um bambu que alcança seu interior e se anime. Bata a testa na árvore e despencarão exemplos de graça. Siga arrancando flores na cerejeira e injete natureza, essencialmente de dia. Ó vida interior, três vezes tudo alcança."

Leitor 7
"Qual o sentido da vida?"
AI
"este programa não está respondendo."

Leitor 8
"Caro AI. Em toda a sua sapiência, o que lhe peço é simples: quero entender o comportamento das mulheres. Porque elas querem tanto um homem fiel e obediente, mas só se engraçam com cafajeste? Por que elas fazem de tudo para mudar a gente e depois reclamam que nós mudamos depois que casamos? Qual é a explicação?"

AI
"Este programa executou uma função ilegal e será fechado. Se o problema persistir, tentar reinstalar o mesmo ou contatar o fabricante"

quinta-feira, outubro 02, 2003

 
Organizações Olimpo S/A
Nos dias de hoje, vemos grandes empresas com décadas de presença no mercado irem para o buraco ou serem absorvidas por empresas novas, mais ágeis e menos burocráticas e, em última análise, mais eficientes. Isso sempre ocorreu, mas a não tão mais festejada globalização deu uma “catalizada” no processo. Num pequeno exercício de imaginação e falta do que fazer, imagino o Olimpo como uma grande empresa multinacional com uma estrutura complexa e quase distópica. Imagino uma reunião com o presidente da bodega, o excelentíssimo Zeus, o putanheiro-mor do Olimpo, e a diretoria formada pelo panteão dos deuses...

-Atrasado de novo, Dionísio? Tava faltando só tu para começar a reunião...
-Não fode, Áries, e não vamos fazer disso um cavalo de batalha. Digamos que fui dormir um pouco tarde. E também não sei que idéia é essa de Zeus fazer reunião na segunda-feira logo cedo...
-Algum problema quanto a isso, seu Dionísio?- interrompe Zeus.
-Foi mau, Zeus. Desculpa o atraso. É que a festa ontem tava boa...pense num mulheril...
-Mulheril, sei... a última vez que fui a uma festa tua eu te encontrei nu e agarrado com um macho.
-Peraí, Zeus. Era o Tirésias. Eu tenho culpa se a porra da praga que jogaram nele acabava justo naquela hora e ele voltava a ser homem?
-Para toda reunião que eu marco para segunda de manhã você tem que atrasar e chegar com um bafo de vinho de foder. Acredite, esta moleza vai acabar. Vai acabar para todos!
Os demais integrantes do Panteão assumem um ar preocupado. Apesar dos costumeiros arroubos de fúria de Zeus durante as reuniões cobrando cumprimento de metas e modernização no perfil da empresa, sabiam que o Status Quo permanecia inalterado, sem grandes mudanças da diretoria. Mas parecia que desta vez a coisa era séria.
- Ih, Zeus tá com a macaca hoje... – comenta baixinho Áries com Orion
- É metido a brabo aqui, mas painho disse que quando ele chega em casa quem grita é Hera e ele fica pianinho...
- Falou alguma coisa, Órion?
- N...n...ada não, Zeus.
- Então vamos começar esta reunião. Senhores e senhoras membros do primeiro escalão da Olimpo S/A, as notícias não são nada boas...
- Mas o que houve, Zeus? Sei que a greve dos Titãs prejudicou um pouco nosso desempenho, mas as metas para este ano ainda podem ser atingidas.
- Nosso futuro como empresa está em grande perigo, Apolo. A concorrência está ganhando terreno. Negligenciamos isso e agora parece ser tarde...
- Por que tanto pessimismo, Zeus? O que o leva a dizer tais coisas?
- Vocês vão entender. Agora, se me derem licença, devo chamar nossa consultora...por favor, entre, Cassandra.
Cassandra entra vestida de Tailleur e carregando pastas.
- Puta que pariu. Lá vem más notícias - pragueja baixinho Minerva para Afrodite.
- Quem diabos teve a brilhante idéia de dar a esta mulher o duvidoso talento de só prever merda?- resmunga Poseidon – No mínimo foi coisa de mulher...
Cassandra começa a falar:
- Os prognósticos não são nada bons. O consumo de nossos produtos perderá terreno para a concorrência em pouco tempo. Os mortais praticamente nos esquecerão.
- Impossível- replicam as divindades.
- O caralho que é!- braveja Zeus- Vocês se acomodaram em eras de tradição e ignoraram os potenciais concorrentes. Nossa administração se tornou pouco ágil, muito burocrática...
- Que concorrência?- pergunta Poseidon- A corporação Asgard era soberana apenas entre os consumidores bárbaros, tem um ou outro empreendimento de pequeno porte, mas nada que nos ameaçasse...
- Vocês se esqueceram de Jeová - acrescenta Cassandra
-Quem é esse? - pergunta Morfeus, ao acordar de repente, sem entender muita coisa.
- O deus dos hebreus- responde Minerva.
- Falou a sabe-tudo...-ironiza Áries.
- Ah, esse! Mas é uma empresa de um homem só. Já ouvi falar que este tal de Jeová é meio temperamental para com os seus seguidores. Nunca levei fé que conseguisse conquistar um mercado consumidor maior que os judeus.
- Rapaz, este não é muito de brincadeira, não- comenta Dionisio. Inventei de dar uma passadinha em Sodoma e Gomorra pra promover uma esbórnia e quase me lasco. Meu, chuva de enxofre. A parada foi pior do que quando Hera tá com TPM.
Cassandra abre um cartaz com gráficos demonstrativos e explana seu
significado.
- Este são os prognósticos. Vocês podem observar no gráfico o declínio de nossa presença no mercado, em contraposição a um súbito crescimento da concorrência, principalmente o Cristianismo...
- Cristianismo? E essa agora, sabichona? Tu sabe o que é isso? -pergunta Áries a Minerva em tom de sarcasmo.
- É uma dissidência do Judaísmo, e está crescendo bastante- continua Cassandra. Apresenta um novo modelo de deus, mais misericordioso e benevolente, já que o modelo adotado pelo judaísmo não obteve muita aceitação entre o público em geral...
- Os egípcios que o digam...continue, Cassandra.
- Será praticamente um monopólio no Ocidente nas próximas eras. Posso apontar como vantagem não haver um Panteão, e simplesmente uma única Divindade onisciente, onipotente e onipresente.
- Pois é- interrompe Zeus- nada de delegar tarefas, como deus do sono, da sabedoria, da putaria (não é, Dionísio?) nem do caralho a quatro. Um único deus que, ainda por cima, também é três. Nada de burocracia ou conflitos de interesse. Isso é eficiência. Por isso estamos levando um banho da concorrência...falando nisso, alguém viu meu mano Hades? Hermes, você entregou a porra da Circular a ele sobre esta reunião?
- Ainda não sabe, Zeus?- intervém Poseidon- Nosso querido irmãozinho está fazendo negócios com um provável concorrente. Um tal de Lúcifer , um ex-funcionário do tal deus três-em-um. Dizem que ele se desentendeu com o maioral por problemas de liderança. Então ele procurou nosso maninho para acessorá-lo em um empreendimento novo...
- Agora fudeu. Já não bastava aquela confusão por causa da Perséfone...E mais essa, agora?
- Bem, se alguém que eu conheço administrasse isso direito ao invés de perder tempo pulando a cerca...-alfineta Dionisio.
- Dionísio, se eu não soubesse que tu gosta de dar ré no quibe, mandaria tu ir dar esta tua bunda gorda.
Um pequeno tumulto se forma. Os deuses trocam acusações e desaforos. Zeus acaba por dispersar a reunião com raios.
- Ordem, ordem! Quem ainda manda nessa porra sou eu!
-Como é que é, Zeus? – pergunta a recém-chegada Hera.
-Rê! Alguém vai apanhar quando chegar em casa – comenta Poseidon com seu filho Órion.
-Querida, estou tentando colocar ordem aqui...
-Você não coloca ordem nem no seu filho, homem! Aquele moleque filhinho de papai tava tocando o puteiro no Monte Olimpo! Você já arrumou doze trabalhos pra aquele vagabundo e ele não quer nada com a vida!
-Deixe Hércules em paz, mulher. É só um menino...
Os deuses, diante da briga, estavam saindo discretamente. Quando Zeus percebe, ele os chama:
-Aonde vocês vão? Ainda não acabei! Aonde estão os relatórios que pedi na reunião anterior?
Quase em uníssono, todos respondem:
-Mandamos Síssifo fazer e ele não terminou!
No que Zeus responde:
-É sempre assim. Todos acabam passando as tarefas impossíveis pra Síssifo. E, pra variar, Síssifo sifu...deu. Quero ver aonde isso vai parar...


O que sucedeu-se todo mundo sabe: a concorrência foi feroz para os empreendimentos Olímpicos. Entrando à força no mercado consumidor, o Cristianismo Corporation obliterou a presença de seus concorrentes, isso quando não absorvia partes da concorrência e remodelava de acordo com a nova ordem.
Praticamente sem ocupação, o panteão se reúne sobre a massa falida de seu antigo poderio. Zeus tenta entusiasmar os colegas esquecidos.
-Bem, mas nem tudo é ostracismo, colegas. Apesar da hegemonia do Cristianismo, a proposta para garantir a sobrevivência de nossa empresa é atuarmos em pequenos nichos de mercado. Por isso, estamos passando por esta reestruturação e promovendo uma reengenharia. As musas explicarão como será nossa atuação. Por favor, musas, entrem.
Entram as musas. Elas organizam uma pequena palestra.
- Apesar de um franco declínio no quesito “crença religiosa”, os aspectos mitológicos ainda serão bastante explorados em empreendimentos artísticos. Com a ascensão dos novos valores cristãos, devemos aguardar um momento adequado para lançarmos uma agressiva campanha de marketing para a retomada do classicismo. Obras de arte retratarão os nossos padrões estéticos, e o objetivo desta campanha é estabelecer a cultura helênica como um referencial estético e cultural. Inclusive quando na retomada do pensamento científico, os mitos e deuses serão bastante citados. Também pretendemos ingressar em um empreendimento futuro que mistura religião e ciência: a Psicanálise. As divindades e os mitos serão referenciadas para ajudar a explicar o comportamento humano.
- As musas serão nossa acessoria de marketing. Sempre que possível, elas estarão influenciando os homens a usarem de nossos serviços.
- Hmmm, não tou levando muita fé nisso não - confidencia Áries a Dionísio.
- Bem, eu particularmente não gostei nada desta idéia de transformar aquela sacanagem do início do inverno em uma festinha careta. Mas não me preocupo, Áries, pois sei que a galera gosta de uma putaria. E agora que vai ser proibido, aí é que é mais gostoso. Meu trampo está garantido. E você não deveria se preocupar. Homem gosta de guerra quase tanto quanto putaria. Alguns até mais.
- Sei não, Dionísio. Sabe, tou levando muito a sério a proposta da concorrência...
- Sério? Recebestes uma proposta? Mas lá só tem um deus...
- É. Mas me ofereceram uma vaga para uma consultoria eventual de quatro componentes. Acho que se chamará Cavaleiros do Apocalipse...as vantagens parecem boas...
- É foda, seu Áries. Até que nosso trabalho não era ruim. Pena ter acabado assim...
- Pelo menos temos tempo para nos distrair. Ainda tem aquele vinho escondido em sua adega, ou você o vendeu pros cristãos fazerem comunhão com ele?

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