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AS AVENTURAS DE CHARLES COYOTE
MALÚ MULHER
Aeroporto de Guarulhos, um fim de tarde e início de noite de chuva daqueles que você só vê em São Paulo. Após um almoço prolongado com velhos conhecidos no Terraço Itália, me despedi deles e vim direto para cá. Já estava com passagem marcada para Recife, aonde deveria resolver uns assuntos pendentes. Enquanto aguardava o vôo, passeava pelas lojas do aeroporto. Detive-me em uma banca e passei a folhear um livro de fotografias. Mulheres nuas levadas ao Estado da Arte. Numa das páginas centrais, encontrei uma morena de cabelos lisos cuja beleza me chamou a atenção.
- Vou levar só isso. Quanto devo?
A voz feminina suavemente grave me fez procurar sua dona. Encontrei-a no caixa. Uma morena de cabelos longos e lisos, com um tom de chocolate dourado, iguais às da foto que olhara no livro. Ao contrário da foto, ela estava bem vestida, mas a saia que alcançava os joelhos mostravam o suficiente de suas pernas, longas e torneadas. Mulher alta, de seios pequenos e ancas largas. A bunda poderia ser maior pelos meus parâmetros, porém a semelhança com a foto do livro atiçou minha imaginação, e a desnudei em meus pensamentos.
Coincidentemente ela olha para trás, e me fraga despindo-a. Olhos estreitos, lábios finos, algumas sardas no rosto realçando sua beleza. Deveria ter uns trinta e pouco. Perfeito. Ela me olha e deve esperar que eu desvie meus olhos. Apenas sorrio de leve, levanto o sobrecenho e deixo a capa do livro que leio à mostra para ela. Sua reação é torcer a boca em sinal de reprovação, balançando a cabeça. Mas não segura um pequeno sorriso antes de sair com sua mala e a revista que comprara. Deixo-a ir, guardando sua imagem para me acompanhar durante o vôo.
Vou ao balcão de check-in da minha empresa. Percebo uma pequena confusão. Me aproximo e pergunto a um dos funcionários o que está havendo. Ele me explica que houve um “overbook” na classe executiva do vôo. Como minha passagem era da classe econômica, mesmo, não me preocupei e simplesmente entreguei minha passagem.
- Mas isso é um absurdo! Vou processar a sua empresa!
Aquela voz novamente. Vejo a morena novamente, agora discutindo com uma das atendentes da empresa, que pacientemente tentava explicar a situação.
- Houve um problema no sistema, e foram indevidamente vendidas passagens demais para este vôo. Estamos providenciando acomodações...
- Eu quero viajar hoje, agora! E de classe executiva!
- Minha senhora, estamos tentando...
- Se vire, minha filha! Você sabe com quem está falando?
Resolvo me meter na discussão.
- Eu não sei. Poderia ter o prazer?
Surpresa e zangada, ela se vira para mim.
- Tem certeza de que não sabe?
- Deveria? – devolvo.
Novamente um balançar de cabeça, em reprovação. Depois volta a insultar a funcionária. Interrompo-a.
- Entendo que a situação seja inconveniente, mas a moça não tem culpa e não é justificativa para ser grosseira...
- Ora, Não se meta! E não estou sendo grosseira!
- Não? Já se escutou, ou você também não sabe quem está falando?
- Escuta aqui, camarada. Eu não o conheço, e não estou em meus melhores dias, e você está sendo inconveniente...
A jovem do balcão nos interrompe
- Houve uma desistência de última hora na classe econômica, senhora. Caso queira aproveitar...
- Mas eu paguei para ir na classe executiva!
- Iremos reembolsar a diferença...
- Não quero saber! Quero viajar agora, e na classe executiva!
Noto que todo mundo olha para ela. A confusão está chamando a atenção, inclusive das outras pessoas.
- Minha senhora, infelizmente não será possível. A única vaga disponível é na classe econômica.
- Uma jovem de personalidade como você deve entender a situação e contorná-la. Como é uma viagem de cerca de três horas, não se importará de ir na classe econômica, já que tem pressa em chegar ao seu destino. E a jovem aqui fará o possível para reparar todo o inconveniente causado – digo, sorrindo com cumplicidade e simpatia para a jovemdo balcão, que me retribui o sorriso. A morena ainda não está sorrindo.
- A poltrona é a 23L, caso queira aceitar.
- Que coincidência, viajaremos juntos – digo.
- Ah, não. Além de ir na classe econômica, tenho que ir aturando este chato?
Outro funcionário anuncia a última chamada para o nosso vôo.
- É pegar ou largar. Se quiser, deixo você ir na janela.
- Tudo bem, eu aceito. Mas vou enviar uma reclamação por escrito à sua companhia.
- Aqui está seu bilhete, senhora (INCLUIR SOBRENOME VERDADEIRO)
Com raiva, ela o apanha e se afasta do balcão, sem falar mais nada.
- Será uma viagem interessante – comento.
Ela resmunga e se afasta. Não a sigo, pois sei que em breve estaremos juntos.
- Ai, meu Deus, vou perder meu emprego – se lamenta a atendente do balcão.
- Não se preocupe, querida. Após umas três horas em minha companhia, ela irá agradecer a vocês o ocorrido. Pode escrever.
Ela sorri, desmanchando o ar preocupado. Pisco-lhe maliciosamente antes de ir ao embarque. Decido embarcar por último, e fico bebendo uma dose de Whisky após passar pelo detetor de metais com minha bagagem de mão. Vejo-a passar pelo portão de embarque enquanto a visualizo nua e saboreio o blended. Mistura perigosa em minha cabeça. Acabo sendo o último a passar pelo embarque.
Ao entrar na cabine da aeronave, sou recebido por uma comissária que me orienta ao local aonde sentarei. Vejo a morena sentada na poltrona do meio e conversando com uma passageira sentada na poltrona do corredor.
- Puxa, Malu, adorei aquele seu trabalho! Além de bonita, você trabalha muito bem...
Percebo que a minha morena não quer muita conversa com sua colega. Deu a impressão que elas não se conhecem, realmente, e Malu – é este o nome pelo qual a outra passageira a chamou – está apenas respondendo com monosílabos.
- Olá, a quanto tempo não nos vemos.
- Não o suficiente – resmunga de volta.
- Ora, sei que foi um dia ruim, mas tente levar pelo lado bom.
- Que lado bom?
- Passei agora pela classe executiva e só vi perua deslumbrada e político. Aqui terás uma boa companhia.
- Você? Que pretensioso!
- Ora, falei sério quando disse que poderia ir na janela. Eu fico no meio. Não quer que eu ponha isso aqui em cima? – digo, apontando para uma bolsa que ela leva no colo.
- O que eu vou ver a esta hora? Só se for o seu ego a milhares de metros do chão.
- Touché! Língua afiada, mas mantém a classe.
- Vocês se conhecem? – pergunta a passageira sentada ao seu lado.
- A pouco tempo, de fato. Charles Coyote, madame, muito prazer – digo, pegando a mão da passageira e beijando-a.
- Oh, quanta gentileza.
Malú balança sua cabeça. Já estou ficando íntimo deste seu gesto.
- Mas fique à vontade para se sentar à janela, Malú.
- Se eu precisar vomitar, uso os sacos apropriados. Além do mais, as janelas não abrem, mas acho que você deve saber.
- Dois a zero. Mas se fizer a gentileza, gostaria de conversar com esta senhora agradável que conheci...como é seu nome, mesmo?
- Solange.
- Pois bem. Se puder fazer a gentileza...
Ela se levanta e senta-se à janela. Sento-me entre ambas e entabulo uma conversa com Solange. Após os procedimentos de decolagem, estamos voando sobre São Paulo. Cantarolo o verso de uma canção, “Namoro São Paulo da janela do avião/Neons desenhando um céu de estrelas lá no chão”. Solange diz conhecer e adorar a música.
- É muito bonita. Eu sugeri à Vânia incluir em um trabalho...
- Você conhece a Vânia Bastos?
- Sim, e o Arrigo, também.
Continuamos nossa conversa, e ela acaba se esquecendo da Malú. Eu propositadamente a ignoro, mas percebo que, apesar de estar lendo a revista que comprara no aeroporto, ela está atenta com o que falo. A primeira meia hora de vôo converso bastante com Solange, mas o cansaço acaba vencendo-a, e ela pede licença para tirar um cochilo. Peço a comissária um Whisky e espero lendo uma revista de bordo. Disfarçadamente olho para as pernas de Malú, cruzadas, mostrando sua coxa.
- Você é sempre tão petulante?
- Sua amiga não achou isso – respondo, olhando para a revista.
- Ela não é minha amiga. Não a conheço.
- Mas ela a conhece, ou pelo menos acha isso.
- Normalmente é assim. E você não me conhece, mesmo?
- Não tive o prazer de me apresentar. Afinal, foi um dia ruim para você.
- De fato. Mas admito que estava muito nervosa lá embaixo.
- Desculpas aceitas. Charles Coyote – digo, estendendo a mão.
Ela balança a cabeça mais uma vez, porém acompanhado de um sorriso. Ela retribui o gesto e apertamos as mão. Enquanto Solange dormia, conversamos bastante. Soube que ela é atriz de cinema e TV, que é casada com um músico que não conheço. Acho que é de Rock, e também escreve livros policiais. Ela estava voltando a trabalhar na TV após alguns anos afastada. Ela finalmente tira aquela bolsa do colo. Noto que está mais à vontade. Ofereço-lhe vinho. Apesar de os vinhos servidos na classe econômica não serem dos melhores, as comissárias trazem um vinho normalmente servido na classe executiva. Provavelmente por conta do incidente com sua reserva.
Estamos sobre Recife, mas vejo que o tempo está muito ruim. O avião sobrevoa durante algum tempo em círculos.
- Ele deveria ter pousado – reclama Malú.
- O tempo não está bom.
O comandante da aeronave fala à todos através dos fones da cabine, explicando que por problemas de visibilidade não seria possível descer no Aeroporto de Recife, e que pousaríamos no Aeroporto de João Pessoa.
- Ah, Não é possível. Está dando tudo errado hoje!
- Ora, tenha calma. João Pessoa fica próximo daqui. Chegaremos em quinze minutos. Acho que iremos de carro para Recife...
- Eu não acredito...
- Ora, vamos ver o lado bom das coisas. Olha, você conhece João Pessoa?
- Não, mas não sei se é a melhor hora...
- Claro que não haverá tempo para mostrar tudo, mas eu a convido para um passeio na orla marítima. Você vai adorar.
Como disse, chegamos em pouco tempo ao Aeroporto Castro Pinto, aonde os funcionários informaram que ficaríamos em um hotel e que iríamos a Recife no dia seguinte, de avião ou de carro.
- Ótimo. Conheço o hotel. É lindo, fica praticamente dentro da praia, as ondas batendo na parede do hotel. Conheço o gerente. Vamos escolher um quarto voltado para o mar, para dormirmos ao som das ondas...
- “Vamos”?
- Estou sugerindo. Eu vou escolher o meu assim...
A empresa aérea resolveu me ajudar, pois o responsável presumiu que estivéssemos viajando juntos e reservou um único quarto para nós.
- Eu estou perdendo a calma, quanta incompetência!
- Calma, ao chegarmos ao hotel, falamos com o gerente e ele dará um jeito.
Nos despedimos de Solange, cujo destino final era João Pessoa mesmo. Chegamos em minutos ao hotel na praia de Tambaú. Sugiro deixarmos as coisas no saguão do Hotel e a convido para uma cerveja à beira da praia. Ela reluta, mas argumento que seria o tempo para o gerente acertar as coisas. Levo-a a um quiosque a poucos metros do hotel. Pedimos chopp e um prato de camarão. Como já é tarde, não tem muitas pessoas no bar. Um cantor toca violão no palco, cantando algumas músicas românticas. Ela mexe bastante seus cabelos longos, apoiando sua cabeça pendente em sua mão direita, me olhando enquanto lhe falo sobre poesia, arte, vida. Pego em sua mão. Sinto sua pulsação elevada.
- Sabe que não deveria estar acontecendo isso.
- Quem sou eu para legislar acerca dos desejos de uma mulher? Além do mais, esta terra tem dom de despertar paixões...
- Estou achando tudo lindo. Esta vista do mar, esta brisa...
- Deveria vir aqui com mais tempo para conhecer tudo.
O dono do bar vem me cumprimentar e eu apresento minha nova amiga a ele. Ele fica um tempo conosco, mas se retira logo. Ao se despedir, me abraça, e aproveita para falar baixinho ao meu ouvido.
- Tu não perdoa nada mesmo, não é?
- Apenas amiga...
- Amiga, claro.
Já é tarde, e o álcool ingerido está cobrando seu preço. Vamos ao hotel, e converso com o Gerente sobre a situação dos quartos separados. Ele fala que já levara as bagagens dela para o quarto inicialmente reservado para ambos, e que eu iria para outro quarto. Eu a acompanho até a porta de seu quarto. Passamos pelos corredores abertos e arborizados, cruzando a piscina e o salão de jogos, até chegarmos ao apartamento no qual ela dormiria. Entrego as chaves em sua mão, não perdendo a oportunidade de tocar seus dedos.
Antes que pudesse me despedir ou fazer algo, ela me puxa pelo colarinho e me encosta contra a parede, me beijando com vigor. Sua perna direita sobe, fazendo subir sua saia. Minha mão ajuda-a e sinto o toque da renda de sua calcinha, o calor do seu sexo entre meus dedos.
- Não acha melhor entrarmos? – digo, quando o longo beijo acaba.
Pego de volta a chave e abro a porta. Suas pernas abraçam meus quadris e eu a seguro pelas costas, a levando para dentro. Ela me empurra contra a porta para fechá-la, e abre minha camisa arrancando os botões, que voam pelo quarto.
- Língua afiada...
- Mais do que você pensa...
Ela prova isso após tirar as minhas calças. Ela me suga, me absorve. Acaricio seu rosto e a levanto com certa violência, jogando-a sobre a cama. Termino de tirar sua roupa, arrancando-a de seu corpo. A atraco de bruços, penetrando-a por trás, segurando seus seios pequenos. Ela fica de quatro e me pede para que eu lhe bata, e dou uns tapas em suas nádegas, depois beijando-as. Trepamos o resto da madrugada. Cochilamos um pouco e acordamos com as ondas batendo logo abaixo de nossa janela, o sol surgindo logo cedo.
- Que horas são?
- Cinco e meia. Aqui o sol nasce primeiro.
Ao me abraçar, ela vê a minha mala encostada na cabeceira da cama, junta às malas dela.
- Seu safado. Você não conseguiu outro quarto coisa nenhuma.
Apenas sorri, cínico. Sua reação foi outro daqueles sufocantes beijos. Ainda houve tempo para uma longa despedida. Sabíamos que provavelmente não nos veríamos mais, pois cada um seguiria seu caminho, e ambos queríamos esticar aquele instante. Que mulher! Malu, mulher! Me alimentei de libido em seus seios, me fartei de luxúria em suas nádegas, e encontrei o paraíso em seu sexo. Em tempo, uma senhora trepada!
Após o café da manhã, nos despedimos. Resolvi ficar na cidade mais um pouco, mas ela precisava ir. Senti-a um pouco constrangida. Afinal, ela era casada. Fomos pragmáticos e não trocamos telefone. Como disse, era pouco provável que eu a visse novamente. A não ser em algum trabalho seu. Mas como raramente assisto a TV...
Após ela ir embora para o aeroporto, fiquei á beira-mar observando os pequenos barcos pesqueiros voltando. Me lembrei de Beatriz. Sempre que estou sozinho, acabo sendo levado pela rede de arrasto das recordações dela. Mas me lembro de ter pego o telefone de Solange. Será que ela topa vir à praia agora pela manha?